” O Mostrengo”

Muitas das conversas que tenho e que ouço sobre o tema do empreendedorismo vão bater (sempre) nas mesmas teclas: a falta de cultura empreendedora existente no país e em como somos avessos ao risco. Muita da culpa destes dois chavões serem uma realidade, advém do facto de, tal como o Mostrengo, os “velhos do Restelo” estarem interessados em preservar esses mitos.

É imperioso mudar esta cultura, não foram os velhos do Restelo que proporcionaram grandes conquistas! Foram pessoas que acreditaram em fazer diferente, que se rodearam das pessoas que melhor sabiam das suas áreas e de pessoas que falharam, falharam uma, duas e três vezes até acertarem (sabiam que os falhanços fazem parte do caminho até ao sucesso).

Tal como D.João Segundo, o momento ideal para avançar é o Presente, rodeemo-nos do conhecimento necessário e enfrentemos o mostrengo!

Brasil ideias mil

Acabei de chegar do Brasil, onde realizei uma série de encontros com o intuito de começar um processo de reflexão sobre a aprendizagem do profissional do século 21. Acredito que neste campo, Instituições de Ensino Superior e Organizações da Sociedade Civil devem caminhar lado-a-lado pois serão as grandes vencedoras dos avanços que se venham a conseguir.

Nesse sentido, conversei com Directores de Empresas, Responsáveis de Educação Corporativa, Responsáveis de Universidades, Professores Universitários, Responsáveis pela Criação de Conteúdos inovadores aplicados à aprendizagem ao nível da educação corporativa.

Visita Academie Accor/Ticket - Raphael Rodrigues, Edna Bedani, Miguel Trigo, Eugênio Lovato e Roberto Baungartner

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Aprendi muito, e espero em breve poder fazer parte de um grupo que apresente propostas que ajudem a aumentar o reconhecimento da educação corporativa (construída em parceria por IES e Organizações) como um dos pilares importantes para o desenvolvimento da sociedade.

Vim mais rico e com ideias mil! Com a certeza de que o Brasil e Portugal ainda muito podem construir em conjunto. Só não podemos esquecer que, para dar certo, os parceiros têm de ser, simultaneamente, interessados e interessantes.

Googlei

Na minha recente visita ao Brasil tive a oportunidade de visitar os escritórios da Google em São Paulo, ou seja, googlei (i.e. google+visitei). In loco pude confirmar o excelente ambiente de trabalho e alguns dos segredos do sucesso:

Primeiro mandamento… um excelente recrutamento

A Google acredita, e pratica, a máxima de que as pessoas são o seu maior activo! Não existe qualquer dúvida que, para singrar como empresa, tem de seleccionar (apenas) pessoas que querem mudar o mundo. Não é, por isso, de estranhar que um dos processos mais valorizados internamente seja o do recrutamento.

Cerca de 50% de novos colaboradores são indicados por actuais funcionários e, mesmo assim, só serão admitidos os que melhores avaliações obtiverem ao fim de 6 fases:

1. Análise do currículo
2. Entrevista telefónica
3. Entrevista ao vivo (possibilidade de serem realizadas 8 entrevistas por 8 pessoas diferentes)
4. Comité de admissão
5. Comité das Américas
6. Comité Global (Liderado pelo CEO Mundial, decide todas as contratações para o mundo inteiro)

Os googlers querem mudar o mundo

A um forte poder de iniciativa,os colaboradores da Google, juntam uma enorme paixão pela Empresa (porque a Google retribui essa paixão), o que permite que, ao enquadrarem-se numa equipa de pessoas extraordinárias, não precisem que lhes indiquem o caminho para ajudar a desenhar os mapas para o sucesso da Google. Os googlers são, ainda, pessoas flexíveis, jogadores de equipa e óptimos comunicadores.

Se as pessoas são excelentes deixem-nas trabalhar

A estrutura (matricial) da Google é muito pouco rígida, não existe um organograma definido (a régua e esquadro) e o modelo beta (tão ao jeito do google labs) é também o preferido em termos de estrutura organizacional. A cada 18 meses, surgem novos projectos, criam-se novas equipas e novos objectivos a atingir (focados na satisfação dos clientes).

A google acredita no seu processo de selecção e recrutamento, por isso, se alguém trabalha na google é porque tem valor e tem de ter caminho livre para trabalhar (e esta regra é assim desde a contratação do primeiro funcionário, antigo colega de doutoramento dos fundadores).

Ah!
1 – Não existem horários a cumprir, mas sim objectivos a atingir!
2- Os lucros são distribuídos por todos (os que obtiverem boas avaliações do desempenho) os colaboradores;
3- A avaliação de desempenho acontece nos dois sentidos e de 3 em 3 meses.

E, já agora…façam-nas sentir em casa

Comida e bebidas são disponibilizadas, de forma gratuita, a qualquer hora do dia (eu estive lá na hora do lanche e os bolos tinham um aspecto delicioso) a todos os colaboradores, bem como, massagens e aulas de yoga (em dias pré-combinados), redes baianas, consolas de jogos e mesa de snooker.

Boa vida a mais ou gestão inteligente?

Pelos resultados eu voto na segunda opção.

Miguel Trigo e C. Felix Ximenes

Miguel Trigo e C. Felix Ximenes

Obrigado ao Felix Ximenes (Director de Comunicação Corporativa da Google Brasil) pela visita guiada e à edição 143 da revista você,s/a (por me ter ajudado a relembrar alguns dos pormenores que me podiam ter escapado).

Via Virgin Para o Sucesso

Finalizei a leitura de um grande livro (Business Stripped Bare) escrito por um grande empreendedor – Sir Richard Branson


artigo da Wikipedia convertido em Mind map utilizando o software MapYourInfo

Nele poderão encontrar uma série de dicas úteis em áreas tão diversas como empreendedorismo, construir marcas de valor, o que é necessário para singrar nos negócios, liderança, responsabilidade social e preocupações ambientais.

Mas, o mais interessante, para mim, é o facto de este ser um livro de alguém que realizou as experiências que relata, que criou valor para a empresa e para os consumidores e que teve momentos de sucesso e de insucesso que não tem qualquer problema em partilhar connosco. Neste livro podemos encontrar a história de uma das grandes marcas da actualidade a Virgin


artigo da Wikipedia convertido em Mind map utilizando o software MapYourInfo

De todas as ideias transmitidas no livro, relativamente ao que é necessário para alcançar o sucesso nos negócios, partilho convosco o factor que considero ser a chave do sucesso a existência de valores que estão sintonizados com o século 21 e que são vividos e não apenas usados por uma questão de moda:

1. Employees are number one. The way you treat your employees is the way they will treat your customers.
2. Think small to grow big.
3. Manage in the good times for the bad times.
4. Irreverence is OK.
5. It’s OK to be yourself.
6. Have fun at work.
7. Take the competition seriously, but not yourself.
8. Think of the company as a service organisation that happens to be in the airline business.
9. Do whatever it takes.
10. Always practise the Golden Rule, internally and externally.

Nomeie o cliente como CEO e melhore os seus resultados

Novos tempos exigem novas posturas e novos comportamentos. Quando me falam sobre temas como a certificação da qualidade e da inovação, costumo dizer que só acredito nesse tipo de processos quando por parte da gestão de topo da organização há o acreditar (e praticar) que qualidade e inovação serão, forçosamente, dois dos constituintes da sua cultura corporativa, sendo a certificação o primeiro passo para um longo processo de transformação cultural.

Esclareço o meu ponto de vista: podemos trabalhar para um selo de qualidade, no entanto, isso não nos deve bastar, uma vez que, todas as restantes organizações também o irão fazer. Esse será o caminho mais fácil, pois tudo se encontra normalizado, basta seguir o que está no guiões e seremos excelentes a cumprir os mínimos! As organizações que se querem distinguir terão de ir mais longe, terão de transformar o selo em cultura.

Importa não esquecer que no século XXI a concorrência aumenta diariamente e que, o consumidor é, cada vez mais, conhecedor das ofertas de mercado, por isso, se não queremos perder a sua fidelidade temos que fazer aquilo que empresas como a Procter & Gamble (a respeito ler o livro The Game-Changer: How You Can Drive Revenue and Profit Growth with Innovation) e a Favi fizeram, passando o Cliente para o centro de todas as actividades desempenhadas pela organização. O Cliente é o Novo CEO!

Devemos aproximar-nos dos nossos clientes e ouvir da sua boca o que esperam de nós, dos nossos serviços e produtos! Qual(is) a(s) razão(es) que os levaram a ser nossos clientes? Porque continuam a ser nossos clientes?
Ainda mais importante, devemos procurar identificar as suas necessidades (se possível antes que as sintam) tal e qual nos vem ensinando Steve Jobs.

São este tipo de empresas que irão ter sucesso no século XXI! Por isso em 2010 vão mais longe, ouçam os vossos CEO´s e respondam às necessidades e expectativas deles!

Eu vou tentar fazer o mesmo!