Mais e melhor…e diferente

Em tempos de crise torna-se lugar comum ouvir várias pessoas (sobretudo políticos e empresários) dizer que é agora tempo de fazer mais e melhor com menos. Eu atrevo-me a sugerir que se deve fazer diferente, para fazer mais e melhor! Aqui ficam algumas sugestões.

Antes que seja inevitável pensar em dispensar colaboradores, porque não:

- Utilizar o modelo dos 20% da google;

- Aproveitar a inteligência colectiva dos colaboradores, para refundar o seu negócio, tal como fizeram na Hamakua Springs Country Farms

- Testar o modelo ROWE na sua organização;

- Dedicar algum tempo a pensar como transformar o modelo de negócio actual, num modelo de capitalismo construtivo, ao estilo da Threadless. Em que a comunidade de clientes funciona como designers de produto, compradores e o melhor meio de promoção da empresa e das suas t-shirts.

-Tal como a Procter & Gamble, criar um modelo que torne a inovação uma parte integrante da cultura organizacional

P&G innovation model

” O Mostrengo”

Muitas das conversas que tenho e que ouço sobre o tema do empreendedorismo vão bater (sempre) nas mesmas teclas: a falta de cultura empreendedora existente no país e em como somos avessos ao risco. Muita da culpa destes dois chavões serem uma realidade, advém do facto de, tal como o Mostrengo, os “velhos do Restelo” estarem interessados em preservar esses mitos.

É imperioso mudar esta cultura, não foram os velhos do Restelo que proporcionaram grandes conquistas! Foram pessoas que acreditaram em fazer diferente, que se rodearam das pessoas que melhor sabiam das suas áreas e de pessoas que falharam, falharam uma, duas e três vezes até acertarem (sabiam que os falhanços fazem parte do caminho até ao sucesso).

Tal como D.João Segundo, o momento ideal para avançar é o Presente, rodeemo-nos do conhecimento necessário e enfrentemos o mostrengo!

Googlei

Na minha recente visita ao Brasil tive a oportunidade de visitar os escritórios da Google em São Paulo, ou seja, googlei (i.e. google+visitei). In loco pude confirmar o excelente ambiente de trabalho e alguns dos segredos do sucesso:

Primeiro mandamento… um excelente recrutamento

A Google acredita, e pratica, a máxima de que as pessoas são o seu maior activo! Não existe qualquer dúvida que, para singrar como empresa, tem de seleccionar (apenas) pessoas que querem mudar o mundo. Não é, por isso, de estranhar que um dos processos mais valorizados internamente seja o do recrutamento.

Cerca de 50% de novos colaboradores são indicados por actuais funcionários e, mesmo assim, só serão admitidos os que melhores avaliações obtiverem ao fim de 6 fases:

1. Análise do currículo
2. Entrevista telefónica
3. Entrevista ao vivo (possibilidade de serem realizadas 8 entrevistas por 8 pessoas diferentes)
4. Comité de admissão
5. Comité das Américas
6. Comité Global (Liderado pelo CEO Mundial, decide todas as contratações para o mundo inteiro)

Os googlers querem mudar o mundo

A um forte poder de iniciativa,os colaboradores da Google, juntam uma enorme paixão pela Empresa (porque a Google retribui essa paixão), o que permite que, ao enquadrarem-se numa equipa de pessoas extraordinárias, não precisem que lhes indiquem o caminho para ajudar a desenhar os mapas para o sucesso da Google. Os googlers são, ainda, pessoas flexíveis, jogadores de equipa e óptimos comunicadores.

Se as pessoas são excelentes deixem-nas trabalhar

A estrutura (matricial) da Google é muito pouco rígida, não existe um organograma definido (a régua e esquadro) e o modelo beta (tão ao jeito do google labs) é também o preferido em termos de estrutura organizacional. A cada 18 meses, surgem novos projectos, criam-se novas equipas e novos objectivos a atingir (focados na satisfação dos clientes).

A google acredita no seu processo de selecção e recrutamento, por isso, se alguém trabalha na google é porque tem valor e tem de ter caminho livre para trabalhar (e esta regra é assim desde a contratação do primeiro funcionário, antigo colega de doutoramento dos fundadores).

Ah!
1 – Não existem horários a cumprir, mas sim objectivos a atingir!
2- Os lucros são distribuídos por todos (os que obtiverem boas avaliações do desempenho) os colaboradores;
3- A avaliação de desempenho acontece nos dois sentidos e de 3 em 3 meses.

E, já agora…façam-nas sentir em casa

Comida e bebidas são disponibilizadas, de forma gratuita, a qualquer hora do dia (eu estive lá na hora do lanche e os bolos tinham um aspecto delicioso) a todos os colaboradores, bem como, massagens e aulas de yoga (em dias pré-combinados), redes baianas, consolas de jogos e mesa de snooker.

Boa vida a mais ou gestão inteligente?

Pelos resultados eu voto na segunda opção.

Miguel Trigo e C. Felix Ximenes

Miguel Trigo e C. Felix Ximenes

Obrigado ao Felix Ximenes (Director de Comunicação Corporativa da Google Brasil) pela visita guiada e à edição 143 da revista você,s/a (por me ter ajudado a relembrar alguns dos pormenores que me podiam ter escapado).

Zappos servir o cliente como cultura

Num post, recente defendi que, nos tempos que correm, a melhor forma de garantir o nosso sucesso é focarmo-nos no cliente. Esse é precisamente o segredo do sucesso da Zappos (recentemente adquirida pela Amazon).

Desde que tomei conhecimento da Zappos que tenho falado muito nela como um exemplo a ser seguido, por ser uma organização completamente diferente, pois todas as suas acções e decisões se centram nos clientes. E não é que este modelo de negócio está a dar excelentes resultados!

Fica aqui o artigo do Rohit Bhargava (autor do livro Personality Not Included: Why Companies Lose Their Authenticity And How Great Brands Get it Back, Foreword by Guy Kawasaki) que nos apresenta os 10 princípios que guiam todos os colaboradores da Zappos.

Para quem preferir aqui fica um vídeo (verdadeiramente inspirador) onde vários colaboradores apresentam os valores da Zappos na primeira pessoa.

Como gerir melhor: Marc Kramer na Forbes

Sou apologista de que os melhores conselhos de gestão de organizações são aqueles que são dados por pessoas que passaram pela experiência da prática. Nesse sentido, partilho convosco este artigo de opinião do Marc Kramer publicado na Forbes.

Face ao ambiente competitivo do século XXI , é fundamental que qualquer organização do “Mundo 2.0” consiga incutir em todos os seus colaboradores a necessidade de um constante questionamento. Será que podemos melhorar aquilo que já fazemos? Que inovações disruptivas podemos trazer para o nosso local de trabalho? Será que podemos satisfazer melhor as necessidades dos nossos clientes, e assim deixar a concorrência para trás?

Yes you can!

Excelente sugestão do Chris Brogan! Todos podemos deixar de nos lamentar e pensar como faríamos as coisas diferentes e começar a agir. Fica aqui um dos trechos que mais gostei:

“You pick whatever the “cause” is. What happens next is that you move from thinking into action-taking.

That step is huge, by the way. The difference between thinking about something, deciding something, and DOING something is like the difference between firing a gun and just throwing the bullet. (I think I stole the bullet analogy from Chris Rock.)

When you decide to take action, the hope is that you’re moving towards something that matters more, and away from something that wasn’t quite working for you.” continuar a lêr