Estudos de caso

Estamos no Natal, época em que tradicionalmente oferecemos prendas a quem mais gostamos. Não querendo fugir à tradição, partilho convosco alguns dos melhores exemplos de Capitalismo Construtivo.

A todos um ótimo Natal.

Umair Haque

Foi ao ler um post de Umair Haque (Director do Havas Media Lab), que pela primeira vez ouvi falar sobre Capitalismo Construtivo. Eis o que Haque defende ser este novo tipo de Capitalismo.

Estudos de Caso

Assentando na importância da iniciativa privada, Acredito que o capitalismo construtivo deverá definir-se como sendo o conjunto de práticas que conseguem criar, simultaneamente valor competitivo e valor social.

Marks & Spencer

No início do século 21, a Marks & Spencer (M&S), encontrava-se numa situação muito difícil (grande contestação por parte das comunidades onde a empresa decidiu fechar as fábricas de produção têxtil, acusações de terem sido encontrados, em frutas e vegetais que comercializava, resíduos de pesticidas prejudiciais para a saúde). Esta situação alterou-se, no momento em que decidiu adoptar a sustentabilidade como estratégia e lançou o seu “Plano A”. Neste vídeo, Mike Barry “Head of Sustainability” da M&S, explica o que é o “Plano A” e de que forma a empresa tem ganho com a sua implementação.

Plan A, Because There is No Plan B – Mike Barry, Marks & Spencer from Sustainable Brands on Vimeo.

Banco Santander Brasil

Fábio Barbosa, Presidente do Banco Santander do Brasil, demonstra nesta apresentação no evento TEDxSP 2009, de que forma os Bancos podem ser importantes atores do capitalismos construtivo.

Grameen Creative Lab

Mundialmente famoso pelo microcrédito, o prémio Nobel da Paz de 2006, Muhammad Yunus, encontra-se, actualmente, a trabalhar com algumas das mais prestigiadas empresas multinacionais (Danone, Adidas, Veolia, BASF, Intel). Juntos, através do Grameen Creative Labs, estão a criar empresas que, demonstram na prática, como a iniciativa privada pode ajudar a erradicar alguns dos principais desafios mundiais.

Riqueza na Base da Pirâmide

C. K. Prahalad era um acérrimo defensor de que só se conseguirá melhorar as condições de vida das pessoas da base da pirâmide, se lhes for permitido serem consumidores plenos, num mercado que gera valor económico ancorado no desenvolvimento de produtos e serviços que dão resposta às suas reais necessidades. No seu livro The Fortune at the Bottom of the Pyramid: Eradicating Poverty Through Profits, Prahalad apresenta vários estudos de caso de empresas como a Microsoft a GlaxoSmithKline ou a Unilever, que aceitaram o desafio e obtiveram sucesso neste de mercado de biliões de pessoas.

For-Benefit Corporations

Um modelo de empresas que começa a ganhar adeptos nos Estados Unidos da América, as “B-Corporations” usam o poder dos negócios para ajudar a resolver problemas sociais e ambientais.

Timberland Company

O Presidente da Timberland, Jeff Swartz, partilha os seus pensamentos sobre a responsabilidade de criar um capitalismo mais sustentável e, apresenta as ações que a sua empresa já desenvolve nesse sentido.

TOMS Shoes

Este é um dos bons exemplos de como o poder dos negócios pode ajudar a resolver problemas sociais. Blake Mycoskie criou uma empresa que por cada par de sapatos que vende, oferece um par a crianças que não possuem recursos financeiros para os comprar. Com este gesto, a TOMS (Tomorrow shoes) evita que milhares de crianças estejam condenadas a viver uma vida marcada por infecções graves e outros problemas sociais.

Acumen Fund

Em 2001, Jacqueline Novogratz, fundou o Acumen Fund que, juntando a compaixão característica dos projectos filantrópicos ao rigor de gestão que deve possuir um projecto vocacionado para singrar no mercado capitalista, e suporta (através do patient capital) projectos empresariais que tenham condições de transformar as realidades de milhões de pessoas.

The Boston Beer Company

A Boston Beer Company pratica a filantropia de forma estratégica, canalizando os seus recursos (finannceiros, humanos e corporativos) para criar impactos na comunidade.

IBM Corporation

Stan Litow, Vice-Presidente para a Cidadania Corporativa e Presidente da Fundação IBM, apresenta algumas das características que fazem da IBM uma empresa do Capitalismo Construtivo.

Starbucks Corporation

A experiência da Starbucks, tem demonstrado que o seu envolvimento com as comunidades não é apenas correto do ponto de vista ético, como é também uma excelente estratégia de negócio. Assim, a sua presença junto das comunidades, é uma realidade, não só, nas vizinhanças das suas lojas,www. como nas regiões onde o café que comercializa é produzido.

A Nossa Responsabilidade

Acabei de ler o livro “The Responsibility Revolution: How the Next Generation of Businesses Will Win” e gostaria de começar por dizer que o trabalho que o Jeffrey Hollender tem feito para mudar o mundo, para melhor, é uma inspiração para mim.

Quanto ao livro que, defendo de leitura obrigatória, para todos aqueles que acreditam que só é possível mudar o mundo quando criamos valor económico e valor para a sociedade (o Capitalismo Construtivo), é quase um manual de como podemos, assumir a nossa responsabilidade e, aplicar mudanças concretas.

Apresenta casos de organizações tão distintas como a Nike, Wal-Mart, Novo Nordisk, IBM, Marks & Spencer, Linden Labs (mais conhecida pelo Second Life), E-bay, Patagonia e Timberland, que nos ajudam a perceber a diferença entre responsabilidade como marketing e reponsabilidade como estratégia, bem como, que é possível sermos uma organização do capitalismo construtivo, quer estejamos a nascer como organização, quer já tenhamos algum caminho percorrido.

Deixo-vos uma das boas listas Faça-Você-Mesmo, que o livro nos oferece:

1. Pergunte aos seus colaboradores: o que é que o mundo mais precisa e que a nossa organização é a única capaz de oferecer?

2. Exponha a “alma” da organização, ou a característica identitária, identificando a sua finalidade/propósito, processos de trabalho e valores.

3. Realize reuniões interdepartamentais para discutir aberta e honestamente duas questões:

- Quais são, as nossas acções que se afastam dos nossos valores?

- O que podemos fazer para garantir um alinhamento maior?

4. As reuniões de acompanhamento, devem focar-se em duas questões adicionais:

- Que princípios devem guiar a forma como trabalhamos juntos?

- Em que matérias não estamos dispostos a ser mais transparentes? Porquê?

5. As respostas anteriores, vão-nos ajudar a responder à questão final:

- Qual é o nosso “estudo de caso” que está a contribuir para o surgimento de uma organização mais responsável e sustentável?