Um melhor capitalismo

Um melhor capitalismo é necessário e depende de todos nós. Um capitalismo construtivo, baseado em acções práticas que resultam na criação de valor competitivo e social.

Como se aproxima um novo ano em que geralmente nos comprometemos em mudar algo na nossa vida, partilho dois bons exemplos de pessoas e organizações que praticam o capitalismo construtivo.

Fábio Barbosa

Fábio Barbosa, Presidente do Banco Santander do Brasil, demonstra nesta apresentação no evento TEDxSP em 2009, de que forma os Bancos podem ser importantes atores do capitalismos construtivo.

Jeff Swartz

O Presidente da Timberland partilha os seus pensamentos sobre a responsabilidade de criar um capitalismo mais sustentável e, apresenta as ações que a sua empresa já desenvolve nesse sentido.

A Nossa Responsabilidade

Acabei de ler o livro “The Responsibility Revolution: How the Next Generation of Businesses Will Win” e gostaria de começar por dizer que o trabalho que o Jeffrey Hollender tem feito para mudar o mundo, para melhor, é uma inspiração para mim.

Quanto ao livro que, defendo de leitura obrigatória, para todos aqueles que acreditam que só é possível mudar o mundo quando criamos valor económico e valor para a sociedade (o Capitalismo Construtivo), é quase um manual de como podemos, assumir a nossa responsabilidade e, aplicar mudanças concretas.

Apresenta casos de organizações tão distintas como a Nike, Wal-Mart, Novo Nordisk, IBM, Marks & Spencer, Linden Labs (mais conhecida pelo Second Life), E-bay, Patagonia e Timberland, que nos ajudam a perceber a diferença entre responsabilidade como marketing e reponsabilidade como estratégia, bem como, que é possível sermos uma organização do capitalismo construtivo, quer estejamos a nascer como organização, quer já tenhamos algum caminho percorrido.

Deixo-vos uma das boas listas Faça-Você-Mesmo, que o livro nos oferece:

1. Pergunte aos seus colaboradores: o que é que o mundo mais precisa e que a nossa organização é a única capaz de oferecer?

2. Exponha a “alma” da organização, ou a característica identitária, identificando a sua finalidade/propósito, processos de trabalho e valores.

3. Realize reuniões interdepartamentais para discutir aberta e honestamente duas questões:

- Quais são, as nossas acções que se afastam dos nossos valores?

- O que podemos fazer para garantir um alinhamento maior?

4. As reuniões de acompanhamento, devem focar-se em duas questões adicionais:

- Que princípios devem guiar a forma como trabalhamos juntos?

- Em que matérias não estamos dispostos a ser mais transparentes? Porquê?

5. As respostas anteriores, vão-nos ajudar a responder à questão final:

- Qual é o nosso “estudo de caso” que está a contribuir para o surgimento de uma organização mais responsável e sustentável?

Capitalismo construtivo – o mundo interconectado

Capitalismo construtivo – o mundo interconectado

Graças aos avanços tecnológicos e às consequentes mudanças culturais, o mundo em que hoje vivemos permite que, pessoas que se encontram fisicamente distantes, possam em conjunto:

- Criar conhecimento
- Partilhar pontos de vista
- Criar e partilhar informação
- Criar produtos e serviços
- Opinar sobre projectos, produtos, serviços

Esta realidade deve significar, para as organizações que se assumem como pertencentes ao capitalismo construtivo, que, ainda que, criando impacto local, deverão ser globais, no pensamento, na ambição, no recrutamento, na partilha e na acção.

Capitalismo Construtivo (modelo organizacional)

Sou da opinião de que o modelo de negócio que melhor se adequa aos valores defendidos pelo capitalismo construtivo é o que junta o poder dos negócios ao poder da filantropia. Esta é uma tese que se sustenta no trabalho de:

Muhammad Yunus, prémio Nobel da Paz de 2006, que tornou possível o acesso ao crédito a pessoas a quem, até aí, era negada essa possibilidade, despoletando uma onda de empreendedorismo social, anteriormente, difícil de imaginar.

C. K. Prahalad que apresentou estudos de caso que comprovavam a obtenção de riqueza, por parte das organizações que foram capazes de criar modelos de negócio que foram ao encontro das reais necessidades das populações que se encontram na base da pirâmide social. Simultaneamente, Prahalad defendia que só se conseguirá melhorar as condições das pessoas da base da pirâmide, se for criado um mercado capaz de gerar riqueza, a Riqueza na Base da Pirâmide.

Jacqueline Novogratz que, em 2001, fundou o Acumen Fund. Projecto que juntando a compaixão (característica dos projectos filantrópicos) ao rigor da gestão (que deve possuir um projecto vocacionado para singrar no mercado capitalista), suporta (através do patient capital) projectos empresariais que tenham condições de transformar as realidades de milhões de pessoas que se encontram na base da pirâmide.

TOMS Shoes (Tomorrow shoes). Este é um dos bons exemplos de como o poder dos negócios pode ajudar a resolver problemas sociais. Blake Mycoskie, criou uma empresa que por cada par de sapatos que vende, oferece um par, a crianças que não possuem recursos financeiros para os comprar.

Capitalismo Construtivo

Apesar de já ter abordado este assunto anteriormente, começo hoje uma série de posts sobre o capitalismo construtivo.

Por todos os acontecimentos que todos nós cidadãos globais temos passado nos últimos tempos e, face à realidade do século 21, o “capitalismo monetário” apresenta cada vez menos condições de poder ser o melhor dos sistemas.

Defendo que o futuro passa pelo Capitalismo…construtivo.

Capitalismo Construtivo

Foi ao ler um post de Umair Haque (Director do Havas Media Lab), que pela primeira vez ouvi falar sobre Capitalismo Construtivo. Haque defende que este novo tipo de Capitalismo assenta nas seguintes leis:

1- A estratégia é uma commodity
2 – A competição é uma prática obsoleta
3 – Não existe nada mais assimétrico do que um ideal
4 – O amanhã é hoje
5 – São as conexões, não as transacções (que criam valor)
6 – São as Pessoas, não os produtos (que criam valor)
7 – A criatividade, não a produtividade (é que cria valor)
8 – Os resultados, não as receitas (é que criam valor)
9 – As vantagem competitivas encontram-se no DNA
10 – A próxima revolução será institucional

No entanto, a meu ver, o capitalismo construtivo não se esgota no trabalho de Haque. Ao longo dos próximos dias irei apresentar algumas dos modelos e teses (defendidas e praticadas por vários autores e organizações) que ajudam a complementar as “leis de Haque” e que, considero, constituem a essência do capitalismo construtivo.

Pensar novos modelos

Pensar novos modelos é tarefa de todos nós. No meu último post, escrevia sobre o modelo da riqueza na base da pirâmide, e nas oportunidades que ele encerra. Ultimamente também tenho pensado, que face à crise actual que atravessamos, um novo modelo se justifica: do meio para a base!

Muitas das pessoas que anteriormente classificávamos como pertencentes à classe média, vivem uma nova realidade, o seu poder de compra baixou. Talvez a resposta mais fácil de todos nós seja – Têm de deixar de comprar coisas supérfluas!

No entanto, acredito que esta nova realidade deve merecer uma resposta mais pensada. Penso que pessoas e organizações se devem juntar num esforço conjunto de apresentar soluções inovadoras de oferta de produtos e serviços que esses consumidores já experimentaram (e gostaram) e que, se continuarem a ser oferecidos (apenas) nos mesmos moldes (na lógica de conseguir atingir o máximo lucro sem se preocuparem com a realidade das pessoas), não poderão comprar.

Se assim não for, acredito que todos aqueles que vendam produtos/serviços que possam ser considerados supérfluos irão, mais cedo ou mais tarde, deixar de vendê-los.

Parar, pensar e construir

Parar pensar e construir! Este mote tem acompanhado os meus pensamentos recentes, muito por culpa de livros lidos ultimamente (Riqueza na Base da Pirâmide), bem como, da situação que actualmente vivemos na Europa.

Tenho paixão pelo mundo dos negócios e pela educação em negócios na prática, o que me leva a ler muitos livros escritos por académicos e por empreendedores, que estudam a prática de negócios e que, procuram transmitir-nos (partilhando experiências vividas em diferentes organizações) o que de melhor se faz em termos de adequação dos negócios à realidade do mundo em que vivemos.

O Livro de Prahalad, que acima citei, é fantástico! Tendo sido publicado inicialmente em 2005 (a edição que li é de 2009, com os resultados dos projectos que relata devidamente actualizados), mostra-nos a existência de um novo mundo de oportunidades para as organizações que souberem parar para pensar:

Quem são (ou poderão efectivamente ser) os seus principais clientes
Quais as suas necessidades;
Quais os modelos de negócios que deverão criar para suprir essas necessidades
De que forma conseguirão envolver as pessoas na co-criação de modelos de negócio altamente lucrativos (não só pelo dinheiro que podem gerar, mas sobretudo pelo impacto social que podem causar).

Apesar da recente lista da Forbes indicar que o número de bilionários aumentou no último ano, o número de pessoas que vivem com rendimentos muitíssimo baixos é desmesuradamente maior. Segundo Prahalad, estas pessoas que fazem parte da base da pirâmide, e que se encontram completamente à margem do sistema capitalista que conhecemos, só poderão sair desta situação pela criação de negócios sustentáveis (que não podem ser adaptações de modelos em utilização em países e para pessoas de realidades totalmente diferentes) e que permitem o acesso a produtos de alta qualidade a um preço mais reduzido, a um número muito maior de consumidores.

Face a este panorama, não tenho dúvidas em afirmar que é dever de todos nós, parar para pensar e construir um novo modelo de capitalismo, que se centre nas pessoas e na nossa responsabilidade de mudar as nossas vidas!

Quem vai para a guerra, prepara-se em terra!

fabro33

Falar de empreendedorismo envolve paixão, mas não só. Por muito que nos custe a nós espíritos empreendedores, uma boa ideia não é por si só suficiente. Tal como repetidamente Seth Godin afirma, é preciso produzir, entregar produtos que as pessoas queiram comprar. Ou seja uma boa implementação.

Atrevo-me a acrescentar que para uma boa implementação é fundamental uma forte preparação.

Devemos conhecer os comportamentos das pessoas, as suas necessidades e motivações. Devemos estudar a fundo, os casos de sucesso do século em que vivemos (das mais variadas áreas de negócios), mas também, os projectos que correram menos bem (que nos podem dar os melhores ensinamentos sobre o que não devemos fazer ou algo que pode ser feito de uma maneira melhor).
Sem estes conhecimentos não devemos avançar com os nossos projectos!

Defendo que devemos estar constantemente apaixonados pelo que fazemos, no entanto, apenas se formos bons a fazer algo que irá satisfazer a necessidade de pessoas como nós, poderemos manter a paixão acesa!