A Nossa Responsabilidade

Acabei de ler o livro “The Responsibility Revolution: How the Next Generation of Businesses Will Win” e gostaria de começar por dizer que o trabalho que o Jeffrey Hollender tem feito para mudar o mundo, para melhor, é uma inspiração para mim.

Quanto ao livro que, defendo de leitura obrigatória, para todos aqueles que acreditam que só é possível mudar o mundo quando criamos valor económico e valor para a sociedade (o Capitalismo Construtivo), é quase um manual de como podemos, assumir a nossa responsabilidade e, aplicar mudanças concretas.

Apresenta casos de organizações tão distintas como a Nike, Wal-Mart, Novo Nordisk, IBM, Marks & Spencer, Linden Labs (mais conhecida pelo Second Life), E-bay, Patagonia e Timberland, que nos ajudam a perceber a diferença entre responsabilidade como marketing e reponsabilidade como estratégia, bem como, que é possível sermos uma organização do capitalismo construtivo, quer estejamos a nascer como organização, quer já tenhamos algum caminho percorrido.

Deixo-vos uma das boas listas Faça-Você-Mesmo, que o livro nos oferece:

1. Pergunte aos seus colaboradores: o que é que o mundo mais precisa e que a nossa organização é a única capaz de oferecer?

2. Exponha a “alma” da organização, ou a característica identitária, identificando a sua finalidade/propósito, processos de trabalho e valores.

3. Realize reuniões interdepartamentais para discutir aberta e honestamente duas questões:

- Quais são, as nossas acções que se afastam dos nossos valores?

- O que podemos fazer para garantir um alinhamento maior?

4. As reuniões de acompanhamento, devem focar-se em duas questões adicionais:

- Que princípios devem guiar a forma como trabalhamos juntos?

- Em que matérias não estamos dispostos a ser mais transparentes? Porquê?

5. As respostas anteriores, vão-nos ajudar a responder à questão final:

- Qual é o nosso “estudo de caso” que está a contribuir para o surgimento de uma organização mais responsável e sustentável?

Capitalismo construtivo – o mundo interconectado

Capitalismo construtivo – o mundo interconectado

Graças aos avanços tecnológicos e às consequentes mudanças culturais, o mundo em que hoje vivemos permite que, pessoas que se encontram fisicamente distantes, possam em conjunto:

- Criar conhecimento
- Partilhar pontos de vista
- Criar e partilhar informação
- Criar produtos e serviços
- Opinar sobre projectos, produtos, serviços

Esta realidade deve significar, para as organizações que se assumem como pertencentes ao capitalismo construtivo, que, ainda que, criando impacto local, deverão ser globais, no pensamento, na ambição, no recrutamento, na partilha e na acção.

Um entre muitos

Terminei a leitura de “One from Many: Visa and the Rise of Chaordic Organization excelente livro escrito por Dee Hock, o homem que foi responsável pela nascimento da VISA (Visa International Service Association) e dos cartões visa. Partilho convosco algumas citações…pode ser que vos tente a lê-lo também.

“Why are institutions, everywhere, whether political, commercial, or social, increasingly unable to manage their affairs? Why are individuals, everywhere, increasingly in conflict with and alienated from the institutions of which they are part? Why are society and the biosphere increasingly in disarray?”

“Life is not about control. It’s not about getting. It’s not about having. It’s not about knowing. It’s not even about being. Life is eternal, perpetual becoming, or it´s nothing. Becoming is not a thing to be known, commanded, or controlled. It is a magnificent, mysterious odyssey to be experienced.
At bottom, desire to command and control is a deadly, destructive compulsion to rob self and others of the joys of living.”

“Life is a sacred contract between the dead, the living, and the unborn.”

“The truth is, that given the right circumstances, from no more than dreams, determination, and the liberty to try, quite ordinary people consistently do extraordinary things.”

“…people must come to things in their own time, in their own way, for their own reasons, or they never truly come at all”

“chaordic\kay’ord-ick\adj. (fr. E. cha’os and ord’er) 1. The behavior of any self-organizing and self-governing organism, organization, or system that harmoniously blends characteristics of chaos and order.
2. Characteristic of the fundamental, organizing principle of nature.”

“One either trusts or one does not. I prefer trust.”

“…possibility is not determined by opinion, only by attempt.”

“Failure is not to be feared. It is from failure that most growth comes, provided that one can recognize it, admit it, learn from it, rise above it, and try again.”

“If you have built castles in the air your work need not to be lost: that is where they should be. Now put the foundation under them.” (Henry David Thoreau)

“There is nothing more difficult to take in hand, more perilous to conduct or more uncertain in its success, than to take the lead in the introduction of a new order of things” (Niccolò Di Bernardo Machiavelli)

“the true strength of rulers and empires lies…in the belief of men that they are inflexibly open, truthful, and legal. As soon as government departs from that standard, it ceases to be anything more than the gang in possession and its days are numbered.” (H.G. Wells)

Capitalismo Construtivo – Pessoas

Se ainda não o fez, antes de ler este post, por favor leia: Capitalismo Construtivo e Capitalismo Construtivo (modelo organizacional)

Para ser de Capitalismo Construtivo, um projecto:

Organiza-se em torno de Pessoas.
Os projectos de Capitalismo Construtivo são criados por pessoas que querem mudar o mundo e que, associam a esse desejo, o desenvolvimento de modelos de negócio que fazem uso dos seus conhecimentos e capacidades, para transformarem, de forma sustentável, a vida de outras pessoas.

Escolhe as melhores pessoas (para o projecto)…
O fundador de um projecto de capitalismo construtivo, não pode deixar de estar ciente que o seu sucesso está intimamente ligado à selecção das pessoas que nele tomam parte. É tarefa do fundador/líder máximo do projecto, criar um processo rigoroso e transparente de selecção de pessoas, baseado nos valores e propósito da Organização, bem como, na procura dos melhores “jogadores de equipa”.

…a quem permite envolver-se a cem por cento (no projecto)
Depois de escolher as melhores pessoas, é também fundamental, criar as condições para que todos os colaboradores possam atingir um elevado grau de realização, ou seja, a todos devem ser concedidas oportunidades de fazer uso dos seus conhecimentos e capacidades, para ajudar a que a organização/movimento atinja o máximo das suas potencialidades.

Foca-se nos destinatários
Os projectos de Capitalismo Construtivo são construídos a pensar nos destinatários. Quem cria um projecto de capitalismo construtivo, é obcecado pela prática da “regra de ouro” de só fazermos aos outros aquilo que gostaríamos que nos fizessem a nós.

De pessoas, por pessoas e para pessoas!

Capitalismo Construtivo (modelo organizacional)

Sou da opinião de que o modelo de negócio que melhor se adequa aos valores defendidos pelo capitalismo construtivo é o que junta o poder dos negócios ao poder da filantropia. Esta é uma tese que se sustenta no trabalho de:

Muhammad Yunus, prémio Nobel da Paz de 2006, que tornou possível o acesso ao crédito a pessoas a quem, até aí, era negada essa possibilidade, despoletando uma onda de empreendedorismo social, anteriormente, difícil de imaginar.

C. K. Prahalad que apresentou estudos de caso que comprovavam a obtenção de riqueza, por parte das organizações que foram capazes de criar modelos de negócio que foram ao encontro das reais necessidades das populações que se encontram na base da pirâmide social. Simultaneamente, Prahalad defendia que só se conseguirá melhorar as condições das pessoas da base da pirâmide, se for criado um mercado capaz de gerar riqueza, a Riqueza na Base da Pirâmide.

Jacqueline Novogratz que, em 2001, fundou o Acumen Fund. Projecto que juntando a compaixão (característica dos projectos filantrópicos) ao rigor da gestão (que deve possuir um projecto vocacionado para singrar no mercado capitalista), suporta (através do patient capital) projectos empresariais que tenham condições de transformar as realidades de milhões de pessoas que se encontram na base da pirâmide.

TOMS Shoes (Tomorrow shoes). Este é um dos bons exemplos de como o poder dos negócios pode ajudar a resolver problemas sociais. Blake Mycoskie, criou uma empresa que por cada par de sapatos que vende, oferece um par, a crianças que não possuem recursos financeiros para os comprar.

Capitalismo Construtivo

Apesar de já ter abordado este assunto anteriormente, começo hoje uma série de posts sobre o capitalismo construtivo.

Por todos os acontecimentos que todos nós cidadãos globais temos passado nos últimos tempos e, face à realidade do século 21, o “capitalismo monetário” apresenta cada vez menos condições de poder ser o melhor dos sistemas.

Defendo que o futuro passa pelo Capitalismo…construtivo.

Capitalismo Construtivo

Foi ao ler um post de Umair Haque (Director do Havas Media Lab), que pela primeira vez ouvi falar sobre Capitalismo Construtivo. Haque defende que este novo tipo de Capitalismo assenta nas seguintes leis:

1- A estratégia é uma commodity
2 – A competição é uma prática obsoleta
3 – Não existe nada mais assimétrico do que um ideal
4 – O amanhã é hoje
5 – São as conexões, não as transacções (que criam valor)
6 – São as Pessoas, não os produtos (que criam valor)
7 – A criatividade, não a produtividade (é que cria valor)
8 – Os resultados, não as receitas (é que criam valor)
9 – As vantagem competitivas encontram-se no DNA
10 – A próxima revolução será institucional

No entanto, a meu ver, o capitalismo construtivo não se esgota no trabalho de Haque. Ao longo dos próximos dias irei apresentar algumas dos modelos e teses (defendidas e praticadas por vários autores e organizações) que ajudam a complementar as “leis de Haque” e que, considero, constituem a essência do capitalismo construtivo.

Pensar novos modelos

Pensar novos modelos é tarefa de todos nós. No meu último post, escrevia sobre o modelo da riqueza na base da pirâmide, e nas oportunidades que ele encerra. Ultimamente também tenho pensado, que face à crise actual que atravessamos, um novo modelo se justifica: do meio para a base!

Muitas das pessoas que anteriormente classificávamos como pertencentes à classe média, vivem uma nova realidade, o seu poder de compra baixou. Talvez a resposta mais fácil de todos nós seja – Têm de deixar de comprar coisas supérfluas!

No entanto, acredito que esta nova realidade deve merecer uma resposta mais pensada. Penso que pessoas e organizações se devem juntar num esforço conjunto de apresentar soluções inovadoras de oferta de produtos e serviços que esses consumidores já experimentaram (e gostaram) e que, se continuarem a ser oferecidos (apenas) nos mesmos moldes (na lógica de conseguir atingir o máximo lucro sem se preocuparem com a realidade das pessoas), não poderão comprar.

Se assim não for, acredito que todos aqueles que vendam produtos/serviços que possam ser considerados supérfluos irão, mais cedo ou mais tarde, deixar de vendê-los.

Parar, pensar e construir

Parar pensar e construir! Este mote tem acompanhado os meus pensamentos recentes, muito por culpa de livros lidos ultimamente (Riqueza na Base da Pirâmide), bem como, da situação que actualmente vivemos na Europa.

Tenho paixão pelo mundo dos negócios e pela educação em negócios na prática, o que me leva a ler muitos livros escritos por académicos e por empreendedores, que estudam a prática de negócios e que, procuram transmitir-nos (partilhando experiências vividas em diferentes organizações) o que de melhor se faz em termos de adequação dos negócios à realidade do mundo em que vivemos.

O Livro de Prahalad, que acima citei, é fantástico! Tendo sido publicado inicialmente em 2005 (a edição que li é de 2009, com os resultados dos projectos que relata devidamente actualizados), mostra-nos a existência de um novo mundo de oportunidades para as organizações que souberem parar para pensar:

Quem são (ou poderão efectivamente ser) os seus principais clientes
Quais as suas necessidades;
Quais os modelos de negócios que deverão criar para suprir essas necessidades
De que forma conseguirão envolver as pessoas na co-criação de modelos de negócio altamente lucrativos (não só pelo dinheiro que podem gerar, mas sobretudo pelo impacto social que podem causar).

Apesar da recente lista da Forbes indicar que o número de bilionários aumentou no último ano, o número de pessoas que vivem com rendimentos muitíssimo baixos é desmesuradamente maior. Segundo Prahalad, estas pessoas que fazem parte da base da pirâmide, e que se encontram completamente à margem do sistema capitalista que conhecemos, só poderão sair desta situação pela criação de negócios sustentáveis (que não podem ser adaptações de modelos em utilização em países e para pessoas de realidades totalmente diferentes) e que permitem o acesso a produtos de alta qualidade a um preço mais reduzido, a um número muito maior de consumidores.

Face a este panorama, não tenho dúvidas em afirmar que é dever de todos nós, parar para pensar e construir um novo modelo de capitalismo, que se centre nas pessoas e na nossa responsabilidade de mudar as nossas vidas!

Amazone-se pela minha loja

Não sei se já repararam mas na minha nova página do blog My Recomendations, tenho agora uma loja minha. Apesar de estar sediada nos servidores da Amazon, sinto-a verdadeiramente como minha. Este é um bom começo de capitalismo construtivo. Lançando esta estratégia, adequada ao público do século 21, a Amazon identificou uma excelente oportunidade de negócio e passo a explicar porquê:

1- Todos nós gostamos de partilhar com os outros aquilo que andamos a fazer, o que andamos a ler ou que presentes gostaríamos de receber;

2- Quando queremos fazer uma compra, ou tomar uma decisão, confiamos muito mais no aconselhamento feito por pessoas iguais a nós, do que na informação que uma empresa nos tenta passar (em forma de publicidade);

3 – Disponibilizando-nos uma plataforma (de criação da nossa loja) user friendly permite que seja muito fácil partilharmos aquilo de que gostamos (algo que no meu caso já vinha querendo fazer há algum tempo);

4- Quando as pessoas confiam na opinião de quem tem a loja, permite que facilmente se possa adquirir o produto pretendido e, a quem partilhou, que possa receber algum (ainda que uma pequena percentagem) dinheiro, ou seja, remunera o espírito de partilha.

As “nossas lojas” possuem estas excelentes características, mas a meu ver podem ainda melhorar em dois aspectos:

1- Disponibilizar uma informação mais completa quando clicamos num item;

2- Disponibilizar um serviço semelhante ao da TOMS Shoes (por cada livro comprado oferta de um outro para entidades como a Room to Read) que permita aos “donos da loja” fazer a doação directamente. Aí sim, seria capitalismo construtivo na sua máxima expressão.

Criticar ou construir

Em que é que somos bons? A criticar ou a construir?

Criticar construtivamente é um excelente exercício, pois pode ser o primeiro passo para melhorar algo. Criticar por criticar, é algo inútil para a sociedade.

A crítica construtiva deveria ser matéria de aprendizagem obrigatória nas escolas. Devíamos aprender a criticar o desempenho dos outros mas, sempre com a obrigatoriedade de apresentar propostas para melhorar. Ao mesmo tempo, aprenderíamos a ouvir as críticas que nos fizessem com a obrigatoriedade de aproveitar ao máximo as sugestões de melhoria.

A partir daí começaríamos um processo incessante de apresentação de soluções para as nossas preocupações, para o que está mal nas nossas organizações e nos nossos países, para os problemas todos que nos impedem de ser mais felizes e, simultaneamente, mais úteis para a sociedade.

Porque não prometermos a nós mesmos que, na próxima vez, antes de criticar pensaremos como ajudar.
A sociedade agradece.