Empreendedorismo integrado

Pediram-me para fazer a abertura e o encerramento de uma sessão sobre empreendedorismo, a decorrer amanhã na Universidade Fernando Pessoa.

O que vou dizer?

Simplesmente isto:

Do Gary Vaynerchuck

e do seu livro Crush It!: Why NOW Is the Time to Cash In on Your Passion (Vencer na vida fazendo o que mais gosta! – versão portuguesa)

Para saber se deve ser empreendedor coloque a si próprio as seguintes questões:

1 – Está feliz com o seu emprego actual?
2 – O seu empregador permite que tenha uma imagem pública? Permite construí-la durante o seu horário de trabalho?
3 – Não permite fazê-lo no horário de trabalho, mas permite nos seus tempos livres?

Se respondeu não, às questões 2 e 3 avance a toda a velocidade, crie o seu negócio.

Se avançar e decidir ser empreendedor é importante respeitar 3 regras:

1 – Ame a sua família!
2 – Trabalhe arduamente!
3 – Viva a sua paixão!

Do Miguel Trigo

1 – Foque-se nas pessoas. Descubra as suas necessidades/os seus desejos não atendidos.
2 – Desenvolva e venda produtos/serviços que dão resposta às necessidades e desejos das pessoas.
3 – Foque-se nas pessoas. Construa um excelentíssimo serviço ao cliente!

Querem saber mais?

Perguntem-me como, amanhã na UFP.

Estar presente!

No mundo 2.0:

Vivemos, cada vez mais, ligados à Internet
Utilizando dispositivos, cada vez mais, móveis (ex: iPad, smartphones),
possibilitando-nos
Uma maior participação (com comentários, partilhas e likes) em comunidades (a que pertencemos por partilharmos valores e interesses comuns) que,
por sua vez, nos fazem
Aumentar o acesso a informações que,
Nos ajudam a aumentar o nosso conhecimento sobre determinado assunto (através das pessoas e respectivas redes);
Nos permitem
Aumentar as nossas chances de sermos úteis a alguém (graças ao espírito construtivo com que nos envolvemos em conversas e projectos que podem beneficiar com o conhecimento que possuímos e nos disponibilizamos a partilhar)
Bem como
Tomar decisões mais informadas

Resumindo, graças à Internet e às tecnologias que hoje estão à nossa disposição, nos países verdadeiramente democráticos, temos todas as condições de sermos cidadãos mais esclarecidos e com um desejo cada vez maior que nos tratem respeitando a regra de ouro (não faças aos outros o que não gostas que te façam a ti)!

Face a este panorama, acredito ser importante que as organizações (que querem garantir a sua sustentabilidade nos tempos de crise com que nos debatemos) apareçam, mostrando que estão presentes para ajudar as pessoas a atravessar estes momentos mais difíceis.

Um bom exemplo desta postura foi o dado pela Marks & Spencer que decidiu baixar os preços aos seus produtos (sustentáveis), baixando os lucros associados às suas margens, mas permitindo aos seus clientes (que a M&S conhece melhor do que ninguém) continuarem a comprar os produtos que estão acostumadas, continuando a fazer compras mais sustentáveis.

O que traz felicidade?

O que traz felicidade?

Num post anterior, defendi a ideia de que, quando bem aplicado, o dinheiro pode trazer felicidade.

Volto ao tema da felicidade, motivado pelo que Tony Hsieh (CEO da Zappos) escreveu no livro “Delivering Happiness: A Path to Profits, Passion and Purpose“, quando afirma algo parecido com isto:

Fiz uma lista dos períodos em que fui mais feliz na minha vida e, reparei que nenhum deles envolveu dinheiro…a felicidade está intimamente ligada com o aproveitar a vida…eu senti-me bem a criar, construir e a fazer coisas pelas quais sentia paixão.

Para além desta confissão por parte de alguém como Tony que vendeu 2 empresas por quantias avultadas*, outro acontecimento me leva a assumir que alcançar a felicidade não está intimamente ligada a quanto dinheiro somos capazes de amealhar, mas sim ao que somos capazes de fazer com ele, é o compromisso que Bill Gates, Warren Buffett, Michael Bloomberg e mais cerca de 40 billionários americanos, assinaram.

Nele, comprometem-se a doar mais de metade das suas fortunas para a implementação de projectos filantrópicos, que ajudem a criar um mundo melhor.

Se assim é, se ajudar a resolver os maiores problemas da humanidade traz felicidade, porquê esperar o tempo que alguns deste signatários esperaram para ir em busca da felicidade?

*em 1998 a LinkExchange à Microsoft por 265 milhões de dólares e, em 2009 a Zappos à Amazon por 1,2 biliões de dólares.

Fazer melhor…na prática

Pelo trabalho que tem vindo a fazer, Jeffrey Hollender deve ser uma referência para quem leva a sério o desafio de querer construir um capitalismo diferente.

A relação de Hollender com a Wal-Mart, nunca foi das melhores (antes pelo contrário) muito devido às suas práticas pouco amigas para com o ambiente e com os seus colaboradores. Mas, Hollender não se limitou a criticar, disponibilizou-se para desempenhar funções (não remuneradas) de conselheiro na área da sustentabilidade, ajudando a Wal-Mart a aumentar o seu valor social.

Este vídeo, além de mostrar como uma empresa atingindo lucros pode causar impactos positivos, marca também o início de uma parceria que se estabelece porque a Wal-Mart percebeu que os tempos mudaram e que, a forma como nos posicionamos no mundo dos negócios, influenciará cada vez mais as decisões de compra dos potenciais clientes.

Gerir na prática

Como devemos gerir no século XXI?

Procuro sempre aprender com quem pratica! Richard Branson, num artigo para a revista Entrepreneur revela-nos os 5 segredos do seu sucesso:

1. Gostar do que faz
2. Crie algo que se destaque de tudo o que já existe.
3. Crie algo que todos os que trabalham consigo, se sintam verdadeiramente orgulhosos.
4. Seja um bom líder.
5. Seja um Líder visível.

O dinheiro traz felicidade

O dinheiro traz felicidade!

Sim, se for bem gasto, não tenho dúvidas em afirmá-lo!

Assim, se tiver sem ideias de como o gastar, aqui ficam duas propostas:

1. Criar/associar-se a um movimento que potencie o emprego de jovens, através da criação de empresas sociais que ajudem a melhorar um dos problemas da sua comunidade local.

2. Atribua, a si próprio(a), uma bolsa de investigação aplicada e, invista o seu tempo a ajudar as empresas sociais (que ajudou a criar) a garantirem a sua sustentabilidade.

Se fizer isso, comprometo-me a investir o meu tempo, a ajudar a garantir a sustentabilidade da sua organização.

Fazer diferente

Tão antiga como a própria escola, será certamente a composição que o/a professor(a) solicita às crianças sobre as férias.

Do mesmo modo, a possibilidade de podermos construir uma sociedade melhor é tão antiga como a existência das sociedades!

Tendo dito isto, relato um dos episódios mais importantes (para mim como pai) das minhas férias.

Fui, acompanhado dos meus filhos, a uma pequena loja para comprar 6 carteiras de cromos autocolantes, de uma colecção que os meus filhos estão a fazer em conjunto (trabalhar em conjunto traz resultados mais rápidos).

Quando já estávamos no carro, a minha filha reparou que apesar de só ter pago 6 carteiras de autocolantes, a senhora da loja tinha-lhe dado 7.

Pensamento normal:

- Olha que sorte a nossa! Mesmo que a Senhora da loja tenha que pagar pela carteira de cromos, ela é que devia ter confirmado e reconfirmado!

Pequena acção pessoal que pode ajudar a tornar o mundo um pouco melhor:

-Temos de voltar à loja e das duas uma, ou devolvemos a carteira ou a pagamos!

Epílogo

- A minha filha foi pagar a 7ª carteira e só depois de o ter feito a pode abrir.

Toda esta história serve para quê? Para mostrar que todos temos o poder de mudar aquilo que não é o mais correcto!

Espero que na composição deste ano a minha filha relate este episódio como algo importante ocorrido nas suas férias!

Capitalismo Construtivo – tem mesmo de ser?

Capitalismo Construtivo – Tem mesmo de ser?

Tenho defendido, em posts anteriores, que devemos aprender e construtir um novo tipo de capitalismo (o capitalismo construtivo). Algumas pessoas concordarão comigo e com os autores e empreendedores de quem tenho falado e apresentado alguns dos seus trabalhos. Mas, quantos dos que dizem concordar vão, efectivamente mudar o rumo das coisas? Talvez algumas das actuais tendências, que David Bornstein e Susan Davies (no livro Social Entrepreneurship: What Everyone Needs to Know) nos ajudam a identificar no nosso mundo 2.0 , incentivem os mais cépticos a tomar a adecisão de passar a a fazer diferente.

O que se passa no mundo 2.0

Sim eu posso!

A facilidade no acesso à informação e à tecnologia e as possibilidades que esta realidade permite em termos de capacidade organizacional, colocam-nos perante uma nova realidade – pessoas que anteriormente não tinham o poder de causar impacto, podem agora, fazer ouvir a sua voz (seja através da defesa dos seus direitos enquanto consumidores ou a ajudar a eleger Presidentes da República) e provocar consequências;

Populoso, interconectado e a mudar constantemente!

É assim o mundo 2.0! O que exige a antecipação de problemas (e o combate dos mesmos na sua origem, antes que proliferem), bem como, a criação de novas soluções para fazer face às mudanças.

Aquecimento global: com o mal dos outros posso eu bem!

Resultante, essencialmente, do consumismo, industrialização e agricultura (no Ocidente) está a começar a bater à nossa porta. As grandes catástrofes, já não acontecem apenas nas casas (países) dos outros!

Tantas necessidades! Para onde me virar?.

Problemas ambientais, doenças infecciosas, terrorismo e crises económicas. As necessidades são tantas, que os modelos tradicionais de actuarmos já não dão conta do recado. Descentralização, cooperação, colaboração e todos ganham, terão, obrigatoriamente, de deixar de ser palavras bonitas e passar a representar estratégias de acção.

Afinal somos muitos!

No livro”The Cultural Creatives: How 50 Million People Are Changing the World” os autores defendem que existem 50 milhões de pessoas nos E.U.A. e 90 milhões, que partilham valores comuns e que entendem a sociedade e o mundo como um ecosistema interligado.

Quem aprendeu a regra de ouro?

Eu confio mais em portais como o tripadvisor, em que pessoas como eu contam as experiências vividas, do que nos websites dos hotéis! Se eu penso assim, será que as outras pessoas não pensam também? Cada vez mais a regra de ouro (não faças aos outros aquilo que não gostas que te façam a ti), a verdadeira preocupação com o bem dos outros e o assumir das responsabilidades, vão ditar o sucesso no mundo dos negócios!

Great reset: the Florida way to constructive capitalism!

I’ve finished reading the book “The Great Reset: How New Ways of Living and Working Drive Post-Crash Prosperity” where I could find important contributions to constructive capitalism. I feel myself obliged to share with you some of Richard Florida thoughts.

Governments role

“Meaningful recovery will require a lot more than government bailouts, stimuli, and other patchwork measures designed to resuscitate the old system or to create illusory, short-term upticks in the stock market, housing market, or car sales.”

“Government spending can’t be the solution in the long run…it simply lacks the resources to generate the enormous level of demand needed to power sustained growth.”

“We need to revamp our governmental institutions and governance structure…with less authority at the top and more at the local and regional levels.”

Great Resets

“They are the great transformative moments when new technologies and technological systems arise, when the economy is recast and society remade, and when the places we live and work change to suit new needs.”

“The challenge is to accelerate the transition from the old to the new order…”

“Our efforts must concentrate on actively building the economy of the future. Instead of infusing scarce capital into the very banks and financial system that brought us to the brink in the first place…”

“…and instead of bailing out mismanaged old-economy companies, we must use whatever resources are available to accelerate the transition to an idea-driven economy…”

People, ideas and opportunites

“…we all have something we’re good at, our own creative spark, and there’s little in life more satisfying and rewarding than the chance to exercise that talent. The real key to economic growth lies in harnessing the full creative talents of every one of us.”

“The key is to expand the very concept of a social safety net, from one that provides just material well-being to one that provides real opportunity for every person.”

“We need to increase the velocity of moving people, goods, and ideas.”

“We need to support the growth of higher-paying knowledge, professional and creative jobs, and make sure that greater numbers of workers are prepared for them.”

Learning 2.0

“We need a learning and development system that is sync with the new creative economy.”

“We need a system of learning and human development that mobilizes and harnesses human creative talent en masse.”

Capitalismo Construtivo – para sair da crise

A crise que actualmente vivemos apresenta traços semelhantes às ocorridas em 1873 e 1929 (crise na banca causada por: hipotecas insolventes e intrumentos financeiros complexos) que, tal como nos relata Richard Florida, no seu mais recente livro “The Great Reset: How New Ways of Living and Working Drive Post-Crash Prosperity“, estiveram relacionadas a práticas e sistemas antiquados e organizações desenquadradas com o seu tempo.

Ainda Segundo Florida, os períodos pós-crise costumam ser de grande inventividade, e culminam com a criação de uma nova economia mais condizente com a realidade das pessoas.

“Os E.U.A. e outras nações avançadas aprenderam uma lição crítica: uma força de trabalho competente e talentosa é uma pedra angular da competitividade económica. Espírito de iniciativa, motivação e vontade de trabalhar deixaram de ser suficientes. O questionamento e a análise, o conhecimento e a inventividade…(são) as ferramentas necessárias ao mundo moderno.” (Florida, 2010)

Para Florida, as áreas da educação e da investigação (para além dos negócios e da gestão; artes, entretenimento e mídia; finanças) são dos sectores cruciais para o crescimento económico, sustentando a sua afirmação em dados concretos sobre os passos que foram dados para sair das duas grandes crises económicas anteriormente citadas:

Crise 1873
• Criação, por Thomas Edison do “laboratório” Edison Electric Light Company (1876)
• Lançamento do primeiro curso de engenharia elétrica no MIT (1882);
• Nos E.U.A., o número de escolas de engenharia passou de seis (1862) para cento e vinte e seis (1917). O número de graduados cresceu de 100 (1870) para 4.300 no final da primeira Guerra mundial;

Crise 1929
• Nos E.UA., entre 1929 e 1933 foram criados 73 laboratórios de investigação e desenvolvimento (durante a a década de 1920 foram criados 66);
• O número de pessoas a trabalhar em investigação e desenvolvimento, nos E.UA., quadriplicou: 7000 (1929), 28000 (1940);
• A percentagem de americanos que concluiu o liceu passou de 20% em 1920, para 50% em 1950.
• Em 1940, cerca de 500.000 americanos frequentavam a Universidade, em 1960, eram mais de 3.5 milhões. Em 1970, eram 7.5 milhões (40% dos adultos com idade para frequentar a Universidade) e, em 1990, quase 17 milhões.

Complementarmente a estes dados, devemos ter consciência que os trabalhadores da nova economia (do conhecimento e da criatividade), necessitam adquirir novas competências, tais como:

Competências Analíticas – Reconhecimento de padrões, resolução criativa de problemas;

Inteligência social – Sensibilidade situacional e poder de persuasão (necessários para a criação e mobilização de equipas)

Estamos colocados perante a realidade de ter que construir um novo capitalismo (o capitalismo construtivo), o que implica mudar (organizações, práticas e sistemas) tudo o que já não se adequa à realidade do mundo em que vivemos e, garantir que o empreendedorismo construtivo (porque se adequa às reais necessidades das pessoas) ganhe uma Dinâmica cada vez maior.

Face ao acima exposto, penso que se torna cada vez mais evidente que é crucial o aparecimento de ecossistemas que juntem várias organizações ligadas à investigação, à educação e à prática de negócios , que sejam responsáveis pelo desenvolvimento de propostas de novos modelos (de negócio, organizacionais e de governance), que tragam vantagens competitivas (efectivas) às pessoas e organizações que abracem a prática do capitalismo construtivo.