A crise que actualmente vivemos apresenta traços semelhantes às ocorridas em 1873 e 1929 (crise na banca causada por: hipotecas insolventes e intrumentos financeiros complexos) que, tal como nos relata Richard Florida, no seu mais recente livro “The Great Reset: How New Ways of Living and Working Drive Post-Crash Prosperity
“, estiveram relacionadas a práticas e sistemas antiquados e organizações desenquadradas com o seu tempo.
Ainda Segundo Florida, os períodos pós-crise costumam ser de grande inventividade, e culminam com a criação de uma nova economia mais condizente com a realidade das pessoas.
“Os E.U.A. e outras nações avançadas aprenderam uma lição crítica: uma força de trabalho competente e talentosa é uma pedra angular da competitividade económica. Espírito de iniciativa, motivação e vontade de trabalhar deixaram de ser suficientes. O questionamento e a análise, o conhecimento e a inventividade…(são) as ferramentas necessárias ao mundo moderno.” (Florida, 2010)
Para Florida, as áreas da educação e da investigação (para além dos negócios e da gestão; artes, entretenimento e mídia; finanças) são dos sectores cruciais para o crescimento económico, sustentando a sua afirmação em dados concretos sobre os passos que foram dados para sair das duas grandes crises económicas anteriormente citadas:
Crise 1873
• Criação, por Thomas Edison do “laboratório” Edison Electric Light Company (1876)
• Lançamento do primeiro curso de engenharia elétrica no MIT (1882);
• Nos E.U.A., o número de escolas de engenharia passou de seis (1862) para cento e vinte e seis (1917). O número de graduados cresceu de 100 (1870) para 4.300 no final da primeira Guerra mundial;
Crise 1929
• Nos E.UA., entre 1929 e 1933 foram criados 73 laboratórios de investigação e desenvolvimento (durante a a década de 1920 foram criados 66);
• O número de pessoas a trabalhar em investigação e desenvolvimento, nos E.UA., quadriplicou: 7000 (1929), 28000 (1940);
• A percentagem de americanos que concluiu o liceu passou de 20% em 1920, para 50% em 1950.
• Em 1940, cerca de 500.000 americanos frequentavam a Universidade, em 1960, eram mais de 3.5 milhões. Em 1970, eram 7.5 milhões (40% dos adultos com idade para frequentar a Universidade) e, em 1990, quase 17 milhões.
Complementarmente a estes dados, devemos ter consciência que os trabalhadores da nova economia (do conhecimento e da criatividade), necessitam adquirir novas competências, tais como:
Competências Analíticas – Reconhecimento de padrões, resolução criativa de problemas;
Inteligência social – Sensibilidade situacional e poder de persuasão (necessários para a criação e mobilização de equipas)
Estamos colocados perante a realidade de ter que construir um novo capitalismo (o capitalismo construtivo), o que implica mudar (organizações, práticas e sistemas) tudo o que já não se adequa à realidade do mundo em que vivemos e, garantir que o empreendedorismo construtivo (porque se adequa às reais necessidades das pessoas) ganhe uma Dinâmica cada vez maior.
Face ao acima exposto, penso que se torna cada vez mais evidente que é crucial o aparecimento de ecossistemas que juntem várias organizações ligadas à investigação, à educação e à prática de negócios , que sejam responsáveis pelo desenvolvimento de propostas de novos modelos (de negócio, organizacionais e de governance), que tragam vantagens competitivas (efectivas) às pessoas e organizações que abracem a prática do capitalismo construtivo.
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