O dinheiro traz felicidade

O dinheiro traz felicidade!

Sim, se for bem gasto, não tenho dúvidas em afirmá-lo!

Assim, se tiver sem ideias de como o gastar, aqui ficam duas propostas:

1. Criar/associar-se a um movimento que potencie o emprego de jovens, através da criação de empresas sociais que ajudem a melhorar um dos problemas da sua comunidade local.

2. Atribua, a si próprio(a), uma bolsa de investigação aplicada e, invista o seu tempo a ajudar as empresas sociais (que ajudou a criar) a garantirem a sua sustentabilidade.

Se fizer isso, comprometo-me a investir o meu tempo, a ajudar a garantir a sustentabilidade da sua organização.

Fazer diferente

Tão antiga como a própria escola, será certamente a composição que o/a professor(a) solicita às crianças sobre as férias.

Do mesmo modo, a possibilidade de podermos construir uma sociedade melhor é tão antiga como a existência das sociedades!

Tendo dito isto, relato um dos episódios mais importantes (para mim como pai) das minhas férias.

Fui, acompanhado dos meus filhos, a uma pequena loja para comprar 6 carteiras de cromos autocolantes, de uma colecção que os meus filhos estão a fazer em conjunto (trabalhar em conjunto traz resultados mais rápidos).

Quando já estávamos no carro, a minha filha reparou que apesar de só ter pago 6 carteiras de autocolantes, a senhora da loja tinha-lhe dado 7.

Pensamento normal:

- Olha que sorte a nossa! Mesmo que a Senhora da loja tenha que pagar pela carteira de cromos, ela é que devia ter confirmado e reconfirmado!

Pequena acção pessoal que pode ajudar a tornar o mundo um pouco melhor:

-Temos de voltar à loja e das duas uma, ou devolvemos a carteira ou a pagamos!

Epílogo

- A minha filha foi pagar a 7ª carteira e só depois de o ter feito a pode abrir.

Toda esta história serve para quê? Para mostrar que todos temos o poder de mudar aquilo que não é o mais correcto!

Espero que na composição deste ano a minha filha relate este episódio como algo importante ocorrido nas suas férias!

Capitalismo Construtivo – tem mesmo de ser?

Capitalismo Construtivo – Tem mesmo de ser?

Tenho defendido, em posts anteriores, que devemos aprender e construtir um novo tipo de capitalismo (o capitalismo construtivo). Algumas pessoas concordarão comigo e com os autores e empreendedores de quem tenho falado e apresentado alguns dos seus trabalhos. Mas, quantos dos que dizem concordar vão, efectivamente mudar o rumo das coisas? Talvez algumas das actuais tendências, que David Bornstein e Susan Davies (no livro Social Entrepreneurship: What Everyone Needs to Know) nos ajudam a identificar no nosso mundo 2.0 , incentivem os mais cépticos a tomar a adecisão de passar a a fazer diferente.

O que se passa no mundo 2.0

Sim eu posso!

A facilidade no acesso à informação e à tecnologia e as possibilidades que esta realidade permite em termos de capacidade organizacional, colocam-nos perante uma nova realidade – pessoas que anteriormente não tinham o poder de causar impacto, podem agora, fazer ouvir a sua voz (seja através da defesa dos seus direitos enquanto consumidores ou a ajudar a eleger Presidentes da República) e provocar consequências;

Populoso, interconectado e a mudar constantemente!

É assim o mundo 2.0! O que exige a antecipação de problemas (e o combate dos mesmos na sua origem, antes que proliferem), bem como, a criação de novas soluções para fazer face às mudanças.

Aquecimento global: com o mal dos outros posso eu bem!

Resultante, essencialmente, do consumismo, industrialização e agricultura (no Ocidente) está a começar a bater à nossa porta. As grandes catástrofes, já não acontecem apenas nas casas (países) dos outros!

Tantas necessidades! Para onde me virar?.

Problemas ambientais, doenças infecciosas, terrorismo e crises económicas. As necessidades são tantas, que os modelos tradicionais de actuarmos já não dão conta do recado. Descentralização, cooperação, colaboração e todos ganham, terão, obrigatoriamente, de deixar de ser palavras bonitas e passar a representar estratégias de acção.

Afinal somos muitos!

No livro”The Cultural Creatives: How 50 Million People Are Changing the World” os autores defendem que existem 50 milhões de pessoas nos E.U.A. e 90 milhões, que partilham valores comuns e que entendem a sociedade e o mundo como um ecosistema interligado.

Quem aprendeu a regra de ouro?

Eu confio mais em portais como o tripadvisor, em que pessoas como eu contam as experiências vividas, do que nos websites dos hotéis! Se eu penso assim, será que as outras pessoas não pensam também? Cada vez mais a regra de ouro (não faças aos outros aquilo que não gostas que te façam a ti), a verdadeira preocupação com o bem dos outros e o assumir das responsabilidades, vão ditar o sucesso no mundo dos negócios!

Capitalismo Construtivo – para sair da crise

A crise que actualmente vivemos apresenta traços semelhantes às ocorridas em 1873 e 1929 (crise na banca causada por: hipotecas insolventes e intrumentos financeiros complexos) que, tal como nos relata Richard Florida, no seu mais recente livro “The Great Reset: How New Ways of Living and Working Drive Post-Crash Prosperity“, estiveram relacionadas a práticas e sistemas antiquados e organizações desenquadradas com o seu tempo.

Ainda Segundo Florida, os períodos pós-crise costumam ser de grande inventividade, e culminam com a criação de uma nova economia mais condizente com a realidade das pessoas.

“Os E.U.A. e outras nações avançadas aprenderam uma lição crítica: uma força de trabalho competente e talentosa é uma pedra angular da competitividade económica. Espírito de iniciativa, motivação e vontade de trabalhar deixaram de ser suficientes. O questionamento e a análise, o conhecimento e a inventividade…(são) as ferramentas necessárias ao mundo moderno.” (Florida, 2010)

Para Florida, as áreas da educação e da investigação (para além dos negócios e da gestão; artes, entretenimento e mídia; finanças) são dos sectores cruciais para o crescimento económico, sustentando a sua afirmação em dados concretos sobre os passos que foram dados para sair das duas grandes crises económicas anteriormente citadas:

Crise 1873
• Criação, por Thomas Edison do “laboratório” Edison Electric Light Company (1876)
• Lançamento do primeiro curso de engenharia elétrica no MIT (1882);
• Nos E.U.A., o número de escolas de engenharia passou de seis (1862) para cento e vinte e seis (1917). O número de graduados cresceu de 100 (1870) para 4.300 no final da primeira Guerra mundial;

Crise 1929
• Nos E.UA., entre 1929 e 1933 foram criados 73 laboratórios de investigação e desenvolvimento (durante a a década de 1920 foram criados 66);
• O número de pessoas a trabalhar em investigação e desenvolvimento, nos E.UA., quadriplicou: 7000 (1929), 28000 (1940);
• A percentagem de americanos que concluiu o liceu passou de 20% em 1920, para 50% em 1950.
• Em 1940, cerca de 500.000 americanos frequentavam a Universidade, em 1960, eram mais de 3.5 milhões. Em 1970, eram 7.5 milhões (40% dos adultos com idade para frequentar a Universidade) e, em 1990, quase 17 milhões.

Complementarmente a estes dados, devemos ter consciência que os trabalhadores da nova economia (do conhecimento e da criatividade), necessitam adquirir novas competências, tais como:

Competências Analíticas – Reconhecimento de padrões, resolução criativa de problemas;

Inteligência social – Sensibilidade situacional e poder de persuasão (necessários para a criação e mobilização de equipas)

Estamos colocados perante a realidade de ter que construir um novo capitalismo (o capitalismo construtivo), o que implica mudar (organizações, práticas e sistemas) tudo o que já não se adequa à realidade do mundo em que vivemos e, garantir que o empreendedorismo construtivo (porque se adequa às reais necessidades das pessoas) ganhe uma Dinâmica cada vez maior.

Face ao acima exposto, penso que se torna cada vez mais evidente que é crucial o aparecimento de ecossistemas que juntem várias organizações ligadas à investigação, à educação e à prática de negócios , que sejam responsáveis pelo desenvolvimento de propostas de novos modelos (de negócio, organizacionais e de governance), que tragam vantagens competitivas (efectivas) às pessoas e organizações que abracem a prática do capitalismo construtivo.

A Nossa Responsabilidade

Acabei de ler o livro “The Responsibility Revolution: How the Next Generation of Businesses Will Win” e gostaria de começar por dizer que o trabalho que o Jeffrey Hollender tem feito para mudar o mundo, para melhor, é uma inspiração para mim.

Quanto ao livro que, defendo de leitura obrigatória, para todos aqueles que acreditam que só é possível mudar o mundo quando criamos valor económico e valor para a sociedade (o Capitalismo Construtivo), é quase um manual de como podemos, assumir a nossa responsabilidade e, aplicar mudanças concretas.

Apresenta casos de organizações tão distintas como a Nike, Wal-Mart, Novo Nordisk, IBM, Marks & Spencer, Linden Labs (mais conhecida pelo Second Life), E-bay, Patagonia e Timberland, que nos ajudam a perceber a diferença entre responsabilidade como marketing e reponsabilidade como estratégia, bem como, que é possível sermos uma organização do capitalismo construtivo, quer estejamos a nascer como organização, quer já tenhamos algum caminho percorrido.

Deixo-vos uma das boas listas Faça-Você-Mesmo, que o livro nos oferece:

1. Pergunte aos seus colaboradores: o que é que o mundo mais precisa e que a nossa organização é a única capaz de oferecer?

2. Exponha a “alma” da organização, ou a característica identitária, identificando a sua finalidade/propósito, processos de trabalho e valores.

3. Realize reuniões interdepartamentais para discutir aberta e honestamente duas questões:

- Quais são, as nossas acções que se afastam dos nossos valores?

- O que podemos fazer para garantir um alinhamento maior?

4. As reuniões de acompanhamento, devem focar-se em duas questões adicionais:

- Que princípios devem guiar a forma como trabalhamos juntos?

- Em que matérias não estamos dispostos a ser mais transparentes? Porquê?

5. As respostas anteriores, vão-nos ajudar a responder à questão final:

- Qual é o nosso “estudo de caso” que está a contribuir para o surgimento de uma organização mais responsável e sustentável?

Capitalismo construtivo – o mundo interconectado

Capitalismo construtivo – o mundo interconectado

Graças aos avanços tecnológicos e às consequentes mudanças culturais, o mundo em que hoje vivemos permite que, pessoas que se encontram fisicamente distantes, possam em conjunto:

- Criar conhecimento
- Partilhar pontos de vista
- Criar e partilhar informação
- Criar produtos e serviços
- Opinar sobre projectos, produtos, serviços

Esta realidade deve significar, para as organizações que se assumem como pertencentes ao capitalismo construtivo, que, ainda que, criando impacto local, deverão ser globais, no pensamento, na ambição, no recrutamento, na partilha e na acção.

Um entre muitos

Terminei a leitura de “One from Many: Visa and the Rise of Chaordic Organization excelente livro escrito por Dee Hock, o homem que foi responsável pela nascimento da VISA (Visa International Service Association) e dos cartões visa. Partilho convosco algumas citações…pode ser que vos tente a lê-lo também.

“Why are institutions, everywhere, whether political, commercial, or social, increasingly unable to manage their affairs? Why are individuals, everywhere, increasingly in conflict with and alienated from the institutions of which they are part? Why are society and the biosphere increasingly in disarray?”

“Life is not about control. It’s not about getting. It’s not about having. It’s not about knowing. It’s not even about being. Life is eternal, perpetual becoming, or it´s nothing. Becoming is not a thing to be known, commanded, or controlled. It is a magnificent, mysterious odyssey to be experienced.
At bottom, desire to command and control is a deadly, destructive compulsion to rob self and others of the joys of living.”

“Life is a sacred contract between the dead, the living, and the unborn.”

“The truth is, that given the right circumstances, from no more than dreams, determination, and the liberty to try, quite ordinary people consistently do extraordinary things.”

“…people must come to things in their own time, in their own way, for their own reasons, or they never truly come at all”

“chaordic\kay’ord-ick\adj. (fr. E. cha’os and ord’er) 1. The behavior of any self-organizing and self-governing organism, organization, or system that harmoniously blends characteristics of chaos and order.
2. Characteristic of the fundamental, organizing principle of nature.”

“One either trusts or one does not. I prefer trust.”

“…possibility is not determined by opinion, only by attempt.”

“Failure is not to be feared. It is from failure that most growth comes, provided that one can recognize it, admit it, learn from it, rise above it, and try again.”

“If you have built castles in the air your work need not to be lost: that is where they should be. Now put the foundation under them.” (Henry David Thoreau)

“There is nothing more difficult to take in hand, more perilous to conduct or more uncertain in its success, than to take the lead in the introduction of a new order of things” (Niccolò Di Bernardo Machiavelli)

“the true strength of rulers and empires lies…in the belief of men that they are inflexibly open, truthful, and legal. As soon as government departs from that standard, it ceases to be anything more than the gang in possession and its days are numbered.” (H.G. Wells)

Capitalismo Construtivo – Pessoas

Se ainda não o fez, antes de ler este post, por favor leia: Capitalismo Construtivo e Capitalismo Construtivo (modelo organizacional)

Para ser de Capitalismo Construtivo, um projecto:

Organiza-se em torno de Pessoas.
Os projectos de Capitalismo Construtivo são criados por pessoas que querem mudar o mundo e que, associam a esse desejo, o desenvolvimento de modelos de negócio que fazem uso dos seus conhecimentos e capacidades, para transformarem, de forma sustentável, a vida de outras pessoas.

Escolhe as melhores pessoas (para o projecto)…
O fundador de um projecto de capitalismo construtivo, não pode deixar de estar ciente que o seu sucesso está intimamente ligado à selecção das pessoas que nele tomam parte. É tarefa do fundador/líder máximo do projecto, criar um processo rigoroso e transparente de selecção de pessoas, baseado nos valores e propósito da Organização, bem como, na procura dos melhores “jogadores de equipa”.

…a quem permite envolver-se a cem por cento (no projecto)
Depois de escolher as melhores pessoas, é também fundamental, criar as condições para que todos os colaboradores possam atingir um elevado grau de realização, ou seja, a todos devem ser concedidas oportunidades de fazer uso dos seus conhecimentos e capacidades, para ajudar a que a organização/movimento atinja o máximo das suas potencialidades.

Foca-se nos destinatários
Os projectos de Capitalismo Construtivo são construídos a pensar nos destinatários. Quem cria um projecto de capitalismo construtivo, é obcecado pela prática da “regra de ouro” de só fazermos aos outros aquilo que gostaríamos que nos fizessem a nós.

De pessoas, por pessoas e para pessoas!

Capitalismo Construtivo (modelo organizacional)

Sou da opinião de que o modelo de negócio que melhor se adequa aos valores defendidos pelo capitalismo construtivo é o que junta o poder dos negócios ao poder da filantropia. Esta é uma tese que se sustenta no trabalho de:

Muhammad Yunus, prémio Nobel da Paz de 2006, que tornou possível o acesso ao crédito a pessoas a quem, até aí, era negada essa possibilidade, despoletando uma onda de empreendedorismo social, anteriormente, difícil de imaginar.

C. K. Prahalad que apresentou estudos de caso que comprovavam a obtenção de riqueza, por parte das organizações que foram capazes de criar modelos de negócio que foram ao encontro das reais necessidades das populações que se encontram na base da pirâmide social. Simultaneamente, Prahalad defendia que só se conseguirá melhorar as condições das pessoas da base da pirâmide, se for criado um mercado capaz de gerar riqueza, a Riqueza na Base da Pirâmide.

Jacqueline Novogratz que, em 2001, fundou o Acumen Fund. Projecto que juntando a compaixão (característica dos projectos filantrópicos) ao rigor da gestão (que deve possuir um projecto vocacionado para singrar no mercado capitalista), suporta (através do patient capital) projectos empresariais que tenham condições de transformar as realidades de milhões de pessoas que se encontram na base da pirâmide.

TOMS Shoes (Tomorrow shoes). Este é um dos bons exemplos de como o poder dos negócios pode ajudar a resolver problemas sociais. Blake Mycoskie, criou uma empresa que por cada par de sapatos que vende, oferece um par, a crianças que não possuem recursos financeiros para os comprar.

Capitalismo Construtivo

Apesar de já ter abordado este assunto anteriormente, começo hoje uma série de posts sobre o capitalismo construtivo.

Por todos os acontecimentos que todos nós cidadãos globais temos passado nos últimos tempos e, face à realidade do século 21, o “capitalismo monetário” apresenta cada vez menos condições de poder ser o melhor dos sistemas.

Defendo que o futuro passa pelo Capitalismo…construtivo.

Capitalismo Construtivo

Foi ao ler um post de Umair Haque (Director do Havas Media Lab), que pela primeira vez ouvi falar sobre Capitalismo Construtivo. Haque defende que este novo tipo de Capitalismo assenta nas seguintes leis:

1- A estratégia é uma commodity
2 – A competição é uma prática obsoleta
3 – Não existe nada mais assimétrico do que um ideal
4 – O amanhã é hoje
5 – São as conexões, não as transacções (que criam valor)
6 – São as Pessoas, não os produtos (que criam valor)
7 – A criatividade, não a produtividade (é que cria valor)
8 – Os resultados, não as receitas (é que criam valor)
9 – As vantagem competitivas encontram-se no DNA
10 – A próxima revolução será institucional

No entanto, a meu ver, o capitalismo construtivo não se esgota no trabalho de Haque. Ao longo dos próximos dias irei apresentar algumas dos modelos e teses (defendidas e praticadas por vários autores e organizações) que ajudam a complementar as “leis de Haque” e que, considero, constituem a essência do capitalismo construtivo.