O novo mundo

Está quase a iniciar o período em que começarei a leccionar as minhas aulas deste ano.
tenho lido muita coisa sobre a necessidade de mudar a educação. De fato, se olharmos à nossa volta, vemos que tudo mudou ou está mudando mas, ao nível da educação formal as coisas vão-se mantendo relativamente iguais.

Acredito sinceramente, que a mudança é necessária! E acredito que as Instituições de Ensino Superior devem fazer a sua parte nessa mudança, pois caso não o façam podem correr o risco de se lamentar quando a sociedade deixar de lhes atribuir a importância que, nos dias de hoje, ainda atribui.

Costumo iniciar as minhas aulas (e palestras) fazendo uma análise das principais tendências (sociais, demográficas, económicas, tecnológicas, políticas e dos mercados) e do que tenho visto percebo alguns sinais com que importa estarmos sempre focados:

Graças à Internet, as pessoas estão mais conhecedoras do mundo que as rodeia. Esse fator faz com que sejam cada vez mais exigentes nas relações que estabelecem, seja com outas pessoas seja com organizações. Ganha cada vez maior importância a REGRA DE OURO, que todos aprendemos em criança “Não faças ao outro, o que não gostas que façam a ti”.

A tecnologia existe e tem demonstrado uma importância crescente:
– na democratização da informação;
– na aproximação das pessoas, criação de redes e plataformas colaborativas;
– no aumento da velocidade com que é possível realizar tarefas, desenvolver trabalho conjunto,fazer progredir o conhecimento;
– na realização de tarefas repetitivas;
– na atratividade que é capaz de garantir a tarefas que antes poderiam não ser tão atraentes (ex: eu utilizando o WiiFit para fazer exercício).

Quando juntamos pessoas e tecnologias notamos uma mudança clara nos hábitos das pessoas:
– Cada vez mais as nossas decisões são tomadas pela informação que nos é partilhada por outras pessoas como nós.
– Estamos mais ligados à Internet – usando mais o facebook, o youtube, o twitter ou o skype do que o e-mail.
- Estamos aumentando a nossa aposta na realização de “transações” na Internet, seja comprando, seja pensando de forma mais global quando decidimos encontrar o produto ou serviço o que mais nos convém;

Feita uma rápida (e superficial) análise de alguns tendências que achei importantes para ajudar a contextualizar o meu ponto de vista, está na hora de regressar ao início do meu pensamento.

Autores como John Seely Brown e Tom Vander Ark, defendem que o Professor tem de ser capaz de assumir uma nova atitude, não é mais o único detentor do conhecimento e, não pode querer que os alunos tenham que adquirir novos conhecimentos de acordo com as suas preferências. Estou a ultimar as minhas aulas e, o foco será o aluno e a sua realidade!

As aulas expositivas estão a ser transformadas em curtos vídeos (espero que sejam atraentes) que abordam os principais conceitos, definições e algumas reflexões sobre a matéria. Os livros continuarão a ser muito importantes (mas todos podem ser descarregados para um tablet). O youtube e o twitter serão importantes fontes de informação. O blog será uma ferramenta de “avaliação” always beta.

A sala de aula, será um laboratório de projetos, partindo das principais tendências do nosso tempo e, fazendo uso de conceitos teóricos nascidos do estudo de casos práticos, construiremos o projeto individual de cada aluno.

Nem tudo correrá bem à primeira, exigirá muito mais trabalho e dedicação de professor e alunos mas, tal como empresas como a Google nos ensinam todos os dias, estamos no século do “always beta”.

Fidelizar o cliente

Fidelizar o cliente não é obra do acaso, é um processo de conquista!

Tudo começa com um produto de boa qualidade, a que obrigatoriamente se adiciona um serviço (focado no cliente) de altíssima qualidade e que se constrói através de ações muitas vezes inesperadas.

Vejam o que se passou comigo:

Emagreci bastante (por opção e força de vontade), o que me trouxe a necessidade de trocar os tamanhos da minha roupa. Pela razões acima mencionadas, sou cliente da Carolina Herrera (desculpem a publicidade, mas quem trabalha bem deve ser louvado), e quando lá fui comprar roupas novas disseram-me que poderia levar os meus fatos (ternos para quem me está a ler no Brasil) para apertar.

Hoje decidi fazê-lo, fui à Carolina Herrera do El Corte Inglês (Vila Nova de Gaia) e não só me estão a apertar os fatos (ternos), como também se responsabilizaram pelo pagamento de metade dos arranjos.

Infelizmente esta atitude, de preocupação com o bem estar do cliente, não é tão usual como devia. Ninguém me mandou emagrecer e, (no senso comum) apertar os fatos (ternos) seria um problema apenas meu.

Mas não, a marca da qual eu sou cliente resolveu preocupar-se comigo.
Valeu a pena?
Se eu já era fiel, a partir de hoje serei mais ainda.

Estudos de caso

Estamos no Natal, época em que tradicionalmente oferecemos prendas a quem mais gostamos. Não querendo fugir à tradição, partilho convosco alguns dos melhores exemplos de Capitalismo Construtivo.

A todos um ótimo Natal.

Umair Haque

Foi ao ler um post de Umair Haque (Director do Havas Media Lab), que pela primeira vez ouvi falar sobre Capitalismo Construtivo. Eis o que Haque defende ser este novo tipo de Capitalismo.

Estudos de Caso

Assentando na importância da iniciativa privada, Acredito que o capitalismo construtivo deverá definir-se como sendo o conjunto de práticas que conseguem criar, simultaneamente valor competitivo e valor social.

Marks & Spencer

No início do século 21, a Marks & Spencer (M&S), encontrava-se numa situação muito difícil (grande contestação por parte das comunidades onde a empresa decidiu fechar as fábricas de produção têxtil, acusações de terem sido encontrados, em frutas e vegetais que comercializava, resíduos de pesticidas prejudiciais para a saúde). Esta situação alterou-se, no momento em que decidiu adoptar a sustentabilidade como estratégia e lançou o seu “Plano A”. Neste vídeo, Mike Barry “Head of Sustainability” da M&S, explica o que é o “Plano A” e de que forma a empresa tem ganho com a sua implementação.

Plan A, Because There is No Plan B – Mike Barry, Marks & Spencer from Sustainable Brands on Vimeo.

Banco Santander Brasil

Fábio Barbosa, Presidente do Banco Santander do Brasil, demonstra nesta apresentação no evento TEDxSP 2009, de que forma os Bancos podem ser importantes atores do capitalismos construtivo.

Grameen Creative Lab

Mundialmente famoso pelo microcrédito, o prémio Nobel da Paz de 2006, Muhammad Yunus, encontra-se, actualmente, a trabalhar com algumas das mais prestigiadas empresas multinacionais (Danone, Adidas, Veolia, BASF, Intel). Juntos, através do Grameen Creative Labs, estão a criar empresas que, demonstram na prática, como a iniciativa privada pode ajudar a erradicar alguns dos principais desafios mundiais.

Riqueza na Base da Pirâmide

C. K. Prahalad era um acérrimo defensor de que só se conseguirá melhorar as condições de vida das pessoas da base da pirâmide, se lhes for permitido serem consumidores plenos, num mercado que gera valor económico ancorado no desenvolvimento de produtos e serviços que dão resposta às suas reais necessidades. No seu livro The Fortune at the Bottom of the Pyramid: Eradicating Poverty Through Profits, Prahalad apresenta vários estudos de caso de empresas como a Microsoft a GlaxoSmithKline ou a Unilever, que aceitaram o desafio e obtiveram sucesso neste de mercado de biliões de pessoas.

For-Benefit Corporations

Um modelo de empresas que começa a ganhar adeptos nos Estados Unidos da América, as “B-Corporations” usam o poder dos negócios para ajudar a resolver problemas sociais e ambientais.

Timberland Company

O Presidente da Timberland, Jeff Swartz, partilha os seus pensamentos sobre a responsabilidade de criar um capitalismo mais sustentável e, apresenta as ações que a sua empresa já desenvolve nesse sentido.

TOMS Shoes

Este é um dos bons exemplos de como o poder dos negócios pode ajudar a resolver problemas sociais. Blake Mycoskie criou uma empresa que por cada par de sapatos que vende, oferece um par a crianças que não possuem recursos financeiros para os comprar. Com este gesto, a TOMS (Tomorrow shoes) evita que milhares de crianças estejam condenadas a viver uma vida marcada por infecções graves e outros problemas sociais.

Acumen Fund

Em 2001, Jacqueline Novogratz, fundou o Acumen Fund que, juntando a compaixão característica dos projectos filantrópicos ao rigor de gestão que deve possuir um projecto vocacionado para singrar no mercado capitalista, e suporta (através do patient capital) projectos empresariais que tenham condições de transformar as realidades de milhões de pessoas.

The Boston Beer Company

A Boston Beer Company pratica a filantropia de forma estratégica, canalizando os seus recursos (finannceiros, humanos e corporativos) para criar impactos na comunidade.

IBM Corporation

Stan Litow, Vice-Presidente para a Cidadania Corporativa e Presidente da Fundação IBM, apresenta algumas das características que fazem da IBM uma empresa do Capitalismo Construtivo.

Starbucks Corporation

A experiência da Starbucks, tem demonstrado que o seu envolvimento com as comunidades não é apenas correto do ponto de vista ético, como é também uma excelente estratégia de negócio. Assim, a sua presença junto das comunidades, é uma realidade, não só, nas vizinhanças das suas lojas,www. como nas regiões onde o café que comercializa é produzido.

Fazer melhor…na prática

Pelo trabalho que tem vindo a fazer, Jeffrey Hollender deve ser uma referência para quem leva a sério o desafio de querer construir um capitalismo diferente.

A relação de Hollender com a Wal-Mart, nunca foi das melhores (antes pelo contrário) muito devido às suas práticas pouco amigas para com o ambiente e com os seus colaboradores. Mas, Hollender não se limitou a criticar, disponibilizou-se para desempenhar funções (não remuneradas) de conselheiro na área da sustentabilidade, ajudando a Wal-Mart a aumentar o seu valor social.

Este vídeo, além de mostrar como uma empresa atingindo lucros pode causar impactos positivos, marca também o início de uma parceria que se estabelece porque a Wal-Mart percebeu que os tempos mudaram e que, a forma como nos posicionamos no mundo dos negócios, influenciará cada vez mais as decisões de compra dos potenciais clientes.

Gerir na prática

Como devemos gerir no século XXI?

Procuro sempre aprender com quem pratica! Richard Branson, num artigo para a revista Entrepreneur revela-nos os 5 segredos do seu sucesso:

1. Gostar do que faz
2. Crie algo que se destaque de tudo o que já existe.
3. Crie algo que todos os que trabalham consigo, se sintam verdadeiramente orgulhosos.
4. Seja um bom líder.
5. Seja um Líder visível.

Fazer diferente

Tão antiga como a própria escola, será certamente a composição que o/a professor(a) solicita às crianças sobre as férias.

Do mesmo modo, a possibilidade de podermos construir uma sociedade melhor é tão antiga como a existência das sociedades!

Tendo dito isto, relato um dos episódios mais importantes (para mim como pai) das minhas férias.

Fui, acompanhado dos meus filhos, a uma pequena loja para comprar 6 carteiras de cromos autocolantes, de uma colecção que os meus filhos estão a fazer em conjunto (trabalhar em conjunto traz resultados mais rápidos).

Quando já estávamos no carro, a minha filha reparou que apesar de só ter pago 6 carteiras de autocolantes, a senhora da loja tinha-lhe dado 7.

Pensamento normal:

- Olha que sorte a nossa! Mesmo que a Senhora da loja tenha que pagar pela carteira de cromos, ela é que devia ter confirmado e reconfirmado!

Pequena acção pessoal que pode ajudar a tornar o mundo um pouco melhor:

-Temos de voltar à loja e das duas uma, ou devolvemos a carteira ou a pagamos!

Epílogo

- A minha filha foi pagar a 7ª carteira e só depois de o ter feito a pode abrir.

Toda esta história serve para quê? Para mostrar que todos temos o poder de mudar aquilo que não é o mais correcto!

Espero que na composição deste ano a minha filha relate este episódio como algo importante ocorrido nas suas férias!

Amazone-se pela minha loja

Não sei se já repararam mas na minha nova página do blog My Recomendations, tenho agora uma loja minha. Apesar de estar sediada nos servidores da Amazon, sinto-a verdadeiramente como minha. Este é um bom começo de capitalismo construtivo. Lançando esta estratégia, adequada ao público do século 21, a Amazon identificou uma excelente oportunidade de negócio e passo a explicar porquê:

1- Todos nós gostamos de partilhar com os outros aquilo que andamos a fazer, o que andamos a ler ou que presentes gostaríamos de receber;

2- Quando queremos fazer uma compra, ou tomar uma decisão, confiamos muito mais no aconselhamento feito por pessoas iguais a nós, do que na informação que uma empresa nos tenta passar (em forma de publicidade);

3 – Disponibilizando-nos uma plataforma (de criação da nossa loja) user friendly permite que seja muito fácil partilharmos aquilo de que gostamos (algo que no meu caso já vinha querendo fazer há algum tempo);

4- Quando as pessoas confiam na opinião de quem tem a loja, permite que facilmente se possa adquirir o produto pretendido e, a quem partilhou, que possa receber algum (ainda que uma pequena percentagem) dinheiro, ou seja, remunera o espírito de partilha.

As “nossas lojas” possuem estas excelentes características, mas a meu ver podem ainda melhorar em dois aspectos:

1- Disponibilizar uma informação mais completa quando clicamos num item;

2- Disponibilizar um serviço semelhante ao da TOMS Shoes (por cada livro comprado oferta de um outro para entidades como a Room to Read) que permita aos “donos da loja” fazer a doação directamente. Aí sim, seria capitalismo construtivo na sua máxima expressão.

Errar…

herrar

Errar é humano! Não fazermos tudo o que está ao nosso alcance para fazermos bem feito é errado!

Escrevi esta frase numa avaliação da minha filha (obteve 98% em 100 possíveis), fiquei obviamente babado! No entanto, os 2% restantes estão intimamente ligados à falta de atenção (absolutamente normal numa criança) e à pressa por terminar aquela tarefa e almejar desafios maiores (o que às vezes nos leva a descuidar nos pormenores).

É este o ponto! Einstein errou bastantes vezes, Edison também, ambos aprenderam de erro em erro até presentearem a humanidade com feitos notáveis. Errar faz parte da aprendizagem de um caminho com um fim em vista!

Realizar coisas notáveis para os nossos familiares, amigos, clientes, sociedade.

Mais e melhor…e diferente

Em tempos de crise torna-se lugar comum ouvir várias pessoas (sobretudo políticos e empresários) dizer que é agora tempo de fazer mais e melhor com menos. Eu atrevo-me a sugerir que se deve fazer diferente, para fazer mais e melhor! Aqui ficam algumas sugestões.

Antes que seja inevitável pensar em dispensar colaboradores, porque não:

- Utilizar o modelo dos 20% da google;

- Aproveitar a inteligência colectiva dos colaboradores, para refundar o seu negócio, tal como fizeram na Hamakua Springs Country Farms

- Testar o modelo ROWE na sua organização;

- Dedicar algum tempo a pensar como transformar o modelo de negócio actual, num modelo de capitalismo construtivo, ao estilo da Threadless. Em que a comunidade de clientes funciona como designers de produto, compradores e o melhor meio de promoção da empresa e das suas t-shirts.

-Tal como a Procter & Gamble, criar um modelo que torne a inovação uma parte integrante da cultura organizacional

P&G innovation model