Capitalismo Construtivo – Pessoas

Se ainda não o fez, antes de ler este post, por favor leia: Capitalismo Construtivo e Capitalismo Construtivo (modelo organizacional)

Para ser de Capitalismo Construtivo, um projecto:

Organiza-se em torno de Pessoas.
Os projectos de Capitalismo Construtivo são criados por pessoas que querem mudar o mundo e que, associam a esse desejo, o desenvolvimento de modelos de negócio que fazem uso dos seus conhecimentos e capacidades, para transformarem, de forma sustentável, a vida de outras pessoas.

Escolhe as melhores pessoas (para o projecto)…
O fundador de um projecto de capitalismo construtivo, não pode deixar de estar ciente que o seu sucesso está intimamente ligado à selecção das pessoas que nele tomam parte. É tarefa do fundador/líder máximo do projecto, criar um processo rigoroso e transparente de selecção de pessoas, baseado nos valores e propósito da Organização, bem como, na procura dos melhores “jogadores de equipa”.

…a quem permite envolver-se a cem por cento (no projecto)
Depois de escolher as melhores pessoas, é também fundamental, criar as condições para que todos os colaboradores possam atingir um elevado grau de realização, ou seja, a todos devem ser concedidas oportunidades de fazer uso dos seus conhecimentos e capacidades, para ajudar a que a organização/movimento atinja o máximo das suas potencialidades.

Foca-se nos destinatários
Os projectos de Capitalismo Construtivo são construídos a pensar nos destinatários. Quem cria um projecto de capitalismo construtivo, é obcecado pela prática da “regra de ouro” de só fazermos aos outros aquilo que gostaríamos que nos fizessem a nós.

De pessoas, por pessoas e para pessoas!

Pensar novos modelos

Pensar novos modelos é tarefa de todos nós. No meu último post, escrevia sobre o modelo da riqueza na base da pirâmide, e nas oportunidades que ele encerra. Ultimamente também tenho pensado, que face à crise actual que atravessamos, um novo modelo se justifica: do meio para a base!

Muitas das pessoas que anteriormente classificávamos como pertencentes à classe média, vivem uma nova realidade, o seu poder de compra baixou. Talvez a resposta mais fácil de todos nós seja – Têm de deixar de comprar coisas supérfluas!

No entanto, acredito que esta nova realidade deve merecer uma resposta mais pensada. Penso que pessoas e organizações se devem juntar num esforço conjunto de apresentar soluções inovadoras de oferta de produtos e serviços que esses consumidores já experimentaram (e gostaram) e que, se continuarem a ser oferecidos (apenas) nos mesmos moldes (na lógica de conseguir atingir o máximo lucro sem se preocuparem com a realidade das pessoas), não poderão comprar.

Se assim não for, acredito que todos aqueles que vendam produtos/serviços que possam ser considerados supérfluos irão, mais cedo ou mais tarde, deixar de vendê-los.

Parar, pensar e construir

Parar pensar e construir! Este mote tem acompanhado os meus pensamentos recentes, muito por culpa de livros lidos ultimamente (Riqueza na Base da Pirâmide), bem como, da situação que actualmente vivemos na Europa.

Tenho paixão pelo mundo dos negócios e pela educação em negócios na prática, o que me leva a ler muitos livros escritos por académicos e por empreendedores, que estudam a prática de negócios e que, procuram transmitir-nos (partilhando experiências vividas em diferentes organizações) o que de melhor se faz em termos de adequação dos negócios à realidade do mundo em que vivemos.

O Livro de Prahalad, que acima citei, é fantástico! Tendo sido publicado inicialmente em 2005 (a edição que li é de 2009, com os resultados dos projectos que relata devidamente actualizados), mostra-nos a existência de um novo mundo de oportunidades para as organizações que souberem parar para pensar:

Quem são (ou poderão efectivamente ser) os seus principais clientes
Quais as suas necessidades;
Quais os modelos de negócios que deverão criar para suprir essas necessidades
De que forma conseguirão envolver as pessoas na co-criação de modelos de negócio altamente lucrativos (não só pelo dinheiro que podem gerar, mas sobretudo pelo impacto social que podem causar).

Apesar da recente lista da Forbes indicar que o número de bilionários aumentou no último ano, o número de pessoas que vivem com rendimentos muitíssimo baixos é desmesuradamente maior. Segundo Prahalad, estas pessoas que fazem parte da base da pirâmide, e que se encontram completamente à margem do sistema capitalista que conhecemos, só poderão sair desta situação pela criação de negócios sustentáveis (que não podem ser adaptações de modelos em utilização em países e para pessoas de realidades totalmente diferentes) e que permitem o acesso a produtos de alta qualidade a um preço mais reduzido, a um número muito maior de consumidores.

Face a este panorama, não tenho dúvidas em afirmar que é dever de todos nós, parar para pensar e construir um novo modelo de capitalismo, que se centre nas pessoas e na nossa responsabilidade de mudar as nossas vidas!

Amazone-se pela minha loja

Não sei se já repararam mas na minha nova página do blog My Recomendations, tenho agora uma loja minha. Apesar de estar sediada nos servidores da Amazon, sinto-a verdadeiramente como minha. Este é um bom começo de capitalismo construtivo. Lançando esta estratégia, adequada ao público do século 21, a Amazon identificou uma excelente oportunidade de negócio e passo a explicar porquê:

1- Todos nós gostamos de partilhar com os outros aquilo que andamos a fazer, o que andamos a ler ou que presentes gostaríamos de receber;

2- Quando queremos fazer uma compra, ou tomar uma decisão, confiamos muito mais no aconselhamento feito por pessoas iguais a nós, do que na informação que uma empresa nos tenta passar (em forma de publicidade);

3 – Disponibilizando-nos uma plataforma (de criação da nossa loja) user friendly permite que seja muito fácil partilharmos aquilo de que gostamos (algo que no meu caso já vinha querendo fazer há algum tempo);

4- Quando as pessoas confiam na opinião de quem tem a loja, permite que facilmente se possa adquirir o produto pretendido e, a quem partilhou, que possa receber algum (ainda que uma pequena percentagem) dinheiro, ou seja, remunera o espírito de partilha.

As “nossas lojas” possuem estas excelentes características, mas a meu ver podem ainda melhorar em dois aspectos:

1- Disponibilizar uma informação mais completa quando clicamos num item;

2- Disponibilizar um serviço semelhante ao da TOMS Shoes (por cada livro comprado oferta de um outro para entidades como a Room to Read) que permita aos “donos da loja” fazer a doação directamente. Aí sim, seria capitalismo construtivo na sua máxima expressão.

Errar…

herrar

Errar é humano! Não fazermos tudo o que está ao nosso alcance para fazermos bem feito é errado!

Escrevi esta frase numa avaliação da minha filha (obteve 98% em 100 possíveis), fiquei obviamente babado! No entanto, os 2% restantes estão intimamente ligados à falta de atenção (absolutamente normal numa criança) e à pressa por terminar aquela tarefa e almejar desafios maiores (o que às vezes nos leva a descuidar nos pormenores).

É este o ponto! Einstein errou bastantes vezes, Edison também, ambos aprenderam de erro em erro até presentearem a humanidade com feitos notáveis. Errar faz parte da aprendizagem de um caminho com um fim em vista!

Realizar coisas notáveis para os nossos familiares, amigos, clientes, sociedade.

Antes que a Brisa vire tempestade

Ao ouvir a notícia de que a Brisa se prepara para substituir os seus portageiros por máquinas de pagamento automático, dois pensamentos me vieram à cabeça:

1- Cada vez mais, é uma realidade que os trabalhos rotineiros irão ser substituídos ou por tecnologia ou por mão-de-obra mais barata. Assim, somos os principais responsáveis em garantir que nós e o trabalho que realizamos não é facilmente substituível.

2- Uma vez que os seus lucros estão em alta (graças a todos nós, cidadãos portugueses), nos primeiros tempos de implementação desta medida, a Brisa poderia investir algum do dinheiro que irá poupar em despesas com funcionários, numa bolsa de apoio ao empreendedorismo e à criação do próprio emprego das pessoas que irão ser dispensadas.

Mais e melhor…e diferente

Em tempos de crise torna-se lugar comum ouvir várias pessoas (sobretudo políticos e empresários) dizer que é agora tempo de fazer mais e melhor com menos. Eu atrevo-me a sugerir que se deve fazer diferente, para fazer mais e melhor! Aqui ficam algumas sugestões.

Antes que seja inevitável pensar em dispensar colaboradores, porque não:

- Utilizar o modelo dos 20% da google;

- Aproveitar a inteligência colectiva dos colaboradores, para refundar o seu negócio, tal como fizeram na Hamakua Springs Country Farms

- Testar o modelo ROWE na sua organização;

- Dedicar algum tempo a pensar como transformar o modelo de negócio actual, num modelo de capitalismo construtivo, ao estilo da Threadless. Em que a comunidade de clientes funciona como designers de produto, compradores e o melhor meio de promoção da empresa e das suas t-shirts.

-Tal como a Procter & Gamble, criar um modelo que torne a inovação uma parte integrante da cultura organizacional

P&G innovation model

Temos Doutores a mais?

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Ouço demasiadas vezes esta frase ser proferida (a meu ver de forma infeliz) por pessoas que se pretendem referir à falta de mão-de-obra qualificada para executar tarefas eminentemente práticas e de cariz repetitivo (uma vez apreendidas as principais técnicas de execução o trabalho vira rotina). Geralmente tal afirmação vem acompanhada de uma outra que diz que existe um número cada vez mais crescente de desempregados com título académico, que se tivessem apostado numa dessas profissões não teriam perdido o seu tempo a estudar para o desemprego.

Não vou afirmar que não exista falta deste tipo de profissionais, mas o que pretendo alertar é que no século 21 as exigências do mundo do trabalho são outras, pelo que, também este tipo de profissionais irão necessitar de ter uma preparação diferenciada. À formação técnica específica será necessário, por exemplo, irmos juntando conhecimentos de informática, comunicação interpessoal, gestão de projectos em rede e de marketing e relações públicas.

Certamente que nem todas as formações atribuirão títulos académicos, no entanto, todas devem ser de qualidade, estar enquadradas com os nossos objectivos e respeitar “andragogicamente” a nossa individualidade.

Não nos esqueçamos que devemos ser capazes de fazer a diferença, caso contrário a escolha dá-se exclusivamente ao nível do preço.

A opção é individual! Eu? Eu? Irei estudar todos os dias!

” O Mostrengo”

Muitas das conversas que tenho e que ouço sobre o tema do empreendedorismo vão bater (sempre) nas mesmas teclas: a falta de cultura empreendedora existente no país e em como somos avessos ao risco. Muita da culpa destes dois chavões serem uma realidade, advém do facto de, tal como o Mostrengo, os “velhos do Restelo” estarem interessados em preservar esses mitos.

É imperioso mudar esta cultura, não foram os velhos do Restelo que proporcionaram grandes conquistas! Foram pessoas que acreditaram em fazer diferente, que se rodearam das pessoas que melhor sabiam das suas áreas e de pessoas que falharam, falharam uma, duas e três vezes até acertarem (sabiam que os falhanços fazem parte do caminho até ao sucesso).

Tal como D.João Segundo, o momento ideal para avançar é o Presente, rodeemo-nos do conhecimento necessário e enfrentemos o mostrengo!

Quem vai para a guerra, prepara-se em terra!

fabro33

Falar de empreendedorismo envolve paixão, mas não só. Por muito que nos custe a nós espíritos empreendedores, uma boa ideia não é por si só suficiente. Tal como repetidamente Seth Godin afirma, é preciso produzir, entregar produtos que as pessoas queiram comprar. Ou seja uma boa implementação.

Atrevo-me a acrescentar que para uma boa implementação é fundamental uma forte preparação.

Devemos conhecer os comportamentos das pessoas, as suas necessidades e motivações. Devemos estudar a fundo, os casos de sucesso do século em que vivemos (das mais variadas áreas de negócios), mas também, os projectos que correram menos bem (que nos podem dar os melhores ensinamentos sobre o que não devemos fazer ou algo que pode ser feito de uma maneira melhor).
Sem estes conhecimentos não devemos avançar com os nossos projectos!

Defendo que devemos estar constantemente apaixonados pelo que fazemos, no entanto, apenas se formos bons a fazer algo que irá satisfazer a necessidade de pessoas como nós, poderemos manter a paixão acesa!