Personalização da educação

Em todos os mercados o relacionamento entre Organização e Cliente é, cada vez mais, marcado pela customização do produto/serviço às necessidades/expectativas do cliente.

Sendo a educação o bilhete de entrada para a economia das ideias em que hoje vivemos, o consumidor do século 21, que é mais conhecedor e exigente, não vai deixar de querer personalizar a sua educação. Os atuais modelos mentais que regem a sociedade, anseiam por universidades mais pró-ativas, acompanhando a revolução digital que se foca cada vez mais no setor da educação.

Se as instituições de ensino superior conseguirem dar a resposta positiva que delas se espera, estou certo que, ao contrário do que algumas vozes afirmam, desempenharão um importante papel na criação de planos de aprendizagem personalizados para cada aluno, focados:

• Na colocação das questões certas;
• Na criatividade na resolução de problemas;
• Na iteratividade;
• Na instantaneidade.

O novo mundo

Está quase a iniciar o período em que começarei a leccionar as minhas aulas deste ano.
tenho lido muita coisa sobre a necessidade de mudar a educação. De fato, se olharmos à nossa volta, vemos que tudo mudou ou está mudando mas, ao nível da educação formal as coisas vão-se mantendo relativamente iguais.

Acredito sinceramente, que a mudança é necessária! E acredito que as Instituições de Ensino Superior devem fazer a sua parte nessa mudança, pois caso não o façam podem correr o risco de se lamentar quando a sociedade deixar de lhes atribuir a importância que, nos dias de hoje, ainda atribui.

Costumo iniciar as minhas aulas (e palestras) fazendo uma análise das principais tendências (sociais, demográficas, económicas, tecnológicas, políticas e dos mercados) e do que tenho visto percebo alguns sinais com que importa estarmos sempre focados:

Graças à Internet, as pessoas estão mais conhecedoras do mundo que as rodeia. Esse fator faz com que sejam cada vez mais exigentes nas relações que estabelecem, seja com outas pessoas seja com organizações. Ganha cada vez maior importância a REGRA DE OURO, que todos aprendemos em criança “Não faças ao outro, o que não gostas que façam a ti”.

A tecnologia existe e tem demonstrado uma importância crescente:
– na democratização da informação;
– na aproximação das pessoas, criação de redes e plataformas colaborativas;
– no aumento da velocidade com que é possível realizar tarefas, desenvolver trabalho conjunto,fazer progredir o conhecimento;
– na realização de tarefas repetitivas;
– na atratividade que é capaz de garantir a tarefas que antes poderiam não ser tão atraentes (ex: eu utilizando o WiiFit para fazer exercício).

Quando juntamos pessoas e tecnologias notamos uma mudança clara nos hábitos das pessoas:
– Cada vez mais as nossas decisões são tomadas pela informação que nos é partilhada por outras pessoas como nós.
– Estamos mais ligados à Internet – usando mais o facebook, o youtube, o twitter ou o skype do que o e-mail.
- Estamos aumentando a nossa aposta na realização de “transações” na Internet, seja comprando, seja pensando de forma mais global quando decidimos encontrar o produto ou serviço o que mais nos convém;

Feita uma rápida (e superficial) análise de alguns tendências que achei importantes para ajudar a contextualizar o meu ponto de vista, está na hora de regressar ao início do meu pensamento.

Autores como John Seely Brown e Tom Vander Ark, defendem que o Professor tem de ser capaz de assumir uma nova atitude, não é mais o único detentor do conhecimento e, não pode querer que os alunos tenham que adquirir novos conhecimentos de acordo com as suas preferências. Estou a ultimar as minhas aulas e, o foco será o aluno e a sua realidade!

As aulas expositivas estão a ser transformadas em curtos vídeos (espero que sejam atraentes) que abordam os principais conceitos, definições e algumas reflexões sobre a matéria. Os livros continuarão a ser muito importantes (mas todos podem ser descarregados para um tablet). O youtube e o twitter serão importantes fontes de informação. O blog será uma ferramenta de “avaliação” always beta.

A sala de aula, será um laboratório de projetos, partindo das principais tendências do nosso tempo e, fazendo uso de conceitos teóricos nascidos do estudo de casos práticos, construiremos o projeto individual de cada aluno.

Nem tudo correrá bem à primeira, exigirá muito mais trabalho e dedicação de professor e alunos mas, tal como empresas como a Google nos ensinam todos os dias, estamos no século do “always beta”.

A minha pátria é a língua portuguesa

A minha pátria é a língua portuguesa

Estou a escrever este post uns dias após ter terminado mais uma visita ao Brasil.

Foram:

- 40 dias e 39 noites;

– Milhares de km percorridos (por ar e terra);

- 8 Estados visitados (Amazônia, Ceará, Distrito Federal, Paraná, Pernambuco, São Paulo, Rio de Janeiro e Rondônia);

- 8 cidades visitadas (São Paulo, Foz Iguaçu, Brasília, Manaus, Porto Velho, Recife, Fortaleza e Rio de Janeiro);

- Reuniões com Secretário de Estado de Educação Superior e com a Presidente do Inep;

- Cerca de 50 reuniões e visitas a organizações (Parques Tecnológicos, Universidades e outras Instituições de Ensino Superior, 1 Universidade da Terceira Idade, 2 barragens hidroelétricas, Embaixada de Portugal em Brasília, Start Ups, Google Brasil, Ticket Brasil, etc.);

- 3 palestras (Manaus, Porto Velho e Rio de Janeiro);

- 1 jantar na Academia do Bacalhau (Brasília);

- 2 dias de praia.

Foi também a oportunidade de rever alguns amigos e conhecer pessoas fantásticas que me receberam de forma espetacular e que demonstraram vontade em trabalhar na construção de projetos conjuntos.

Mas, foi principalmente uma oportunidade para aumentar a minha crença de que existe ainda muito trabalho a ser realizado em parceria por organizações da língua portuguesa.
Acredito que essa união será benéfica para uma maior presença no mundo global.

Haja a capacidade das organizações se respeitarem nas suas diferenças, encontrarem formas de juntarem suas forças e sempre estarem lutando para ser interessantes e interessadas.

Eu procurarei fazê-lo. Espero conseguir ser suficientemente interessado e interessante para conseguir reunir os parceiros interessados e com eles construir projetos interessantes.

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Criar Valor

Criar valor, mas como? De que forma? Estas serão provavelmente questões que se colocam à maioria de nós, cidadãos e organizações no século 21.

No que a mim me diz respeito e, no que concerne aos projetos em que me envolvo, procuro que todos eles consigam atingir o máximo grau de criação de valor construtivo, associando a criação do valor económico ao valor social e ao valor comunitário.

Valor Económico. O valor percebido como justo, por todas as partes envolvidas, em termos de retorno económico face à satisfação de uma necessidade, ao grau de envolvimento e à qualidade dos serviços e produtos oferecidos.

Valor Social. Os projetos devem apresentar contribuições para o desenvolvimento sustentável das organizações, baseado no desenvolvimento de produtos/serviços melhores para as pessoas. O que aumenta também o valor que a sociedade atribui à organização.

Valor Comunitário. Para que um projeto possa aumentar os seus níveis de sustentabilidade, deverá apresentar um componente focado no desenvolvimento da comunidade local de onde somos originários ou com que estamos a trabalhar.

Considero este, um excelente exemplo para ilustrar o que pretendo transmitir. As parcerias que a PepsiCo. vem estabelecendo com cooperativas de agricultores no México, que procuram criar:

1. Valor social: Procura desenvolver produtos mais saudáveis para os consumidores (logo para a sociedade pois vai diminuir os prejuízos causados pela ingestão de comidas com teor de gordura muito elevados); contribui para a diminuição da produção de marijuana.

2. Valor comunitário: ajudando a criar postos de trabalho nas comunidades locais e diminuindo a imigração ilegal.

3. Valor económico: para os agricultores que conseguem vender os seus produtos diretamente à Pepsi e a um preço justo; para a Empresa porque poupa em transportes e garante o acesso a produtos que cumprem os seus graus de exigência livres de flutuações nos preços.

Não sendo uma tarefa fácil, acredito que o “segredo do sucesso” para a criação de valor construtivo residirá não só na criatividade, mas também, na capacidade de criação de laços profundos de transparência, e confiança, entre todos os envolvidos e um foco nos ganhos (partilhados) a longo prazo.

Um melhor capitalismo

Um melhor capitalismo é necessário e depende de todos nós. Um capitalismo construtivo, baseado em acções práticas que resultam na criação de valor competitivo e social.

Como se aproxima um novo ano em que geralmente nos comprometemos em mudar algo na nossa vida, partilho dois bons exemplos de pessoas e organizações que praticam o capitalismo construtivo.

Fábio Barbosa

Fábio Barbosa, Presidente do Banco Santander do Brasil, demonstra nesta apresentação no evento TEDxSP em 2009, de que forma os Bancos podem ser importantes atores do capitalismos construtivo.

Jeff Swartz

O Presidente da Timberland partilha os seus pensamentos sobre a responsabilidade de criar um capitalismo mais sustentável e, apresenta as ações que a sua empresa já desenvolve nesse sentido.

Empreendedorismo Serviço ao Cliente

Empreendedorismo deverá assentar num exemplar serviço ao cliente. Num post recente sobre empreendedorismo integrado, abordei a questão do empreendedorismo e na ocasião afirmava que, para ter sucesso competitivo, qualquer projeto empresarial necessita de se focar nas pessoas.

Acredito, vivamente, que se a empresa fizer tudo para se tornar numa “empresa de serviço ao seu cliente” ela irá ser uma empresa de sucesso!

De duas leituras recentes, partilho convosco uma “lista faça você mesmo” de boas práticas de quem já é uma “empresa ao serviço do cliente”.

Do Livro I Love You More Than My Dog: Five Decisions That Drive Extreme Customer Loyalty in Good Times and Bad

Empresas ao Serviço do Cliente, tomam 5 decisões fundamentais:

Acreditam nos consumidores!
Acabando com regras e políticas complicadas que, criam burocracias e erguem barreiras entre elas e os consumidores;

– Qual o grau de confiança depositado no serviço ao cliente que, lhes permite tomar decisões para o bem do consumidor?

– Todas as regras são necessárias?

– O seu processo de selecção é suficientemente rigoroso que lhe permita ser livre para confiar nas pessoas que contrata?

– A sua empresa possui uma relação intrínseca de confiança com os clientes?

Possuem propósitos claros e, apresentam-nos de forma transparente!
Investindo tempo para definir claramente o que se pode esperar da empresa. Esta deve ser a razão pela qual os clientes a escolhem.

– As suas acções vão ao encontro dos seus propósitos?

– Se perguntar a 10 pessoas quais são os propósito da sua empresa, quantas respostas receberá?

– Os clientes contam a sua história?

– Selecciona colaboradores capazes de “servir” de acordo com os seus propósitos?

– O que é que condiciona a tomada de decisão num sentido e não noutro?

Decidem ser reais!
A relação é entre pessoas que partilham os mesmos valores e que percebem as fraquezas, peculiaridades e espírito de cada uma.

– Enquanto cliente, teria vontade de lêr os seus contratos, mensagens e contas?

– Como são saudados os clientes quando ligam para a empresa?

– As pessoas são guiadas ou recebem um guião que têm de seguir?

– Discute clientes ou contratos? Políticas de segurança ou família?

Decidem estar presentes!
O que aumenta o trabalho pois, implica estar sempre a “pesquisar” onde o cliente precisa de nós, nas condições por ele determinadas.

– Começam pelo cliente e não pelo produto.

– Procuram imaginar a vida dos seus clientes.

– Compreendem a vida dos clientes e conseguem propor melhorias.

– São claras no seu propósito de entregar soluções adequadas à vida dos clientes.

– Constroem a sua experiência a partir do ponto de vista do cliente.

– Os clientes podem confiar nas sua práticas e operacionalização.

– As suas reuniões são passadas a discutir a vida dos clientes e não objectivos de vendas.

Decidem pedir desculpa.
A forma como uma empresa reage na adversidade reflecte o seu humanismo e mostra a sua verdadeira identidade. Graça e sabedoria fazem-nas aceitar a sua responsabilidades, sem fugas nem ripostar com acusações. Um bom pedido de desculpas serve para reatar a ligação emocional com os clientes.

– Ser genuíno.

– Restaura a confiança de estar associado a si.

– Honrar aqueles que foram prejudicados.

– Apresentar explicações para o sucedido e trabalhar na resolução do problema.

– Ser gentil e humilde.

Ensinam através dos exemplos que dão!
Ao tomarem as decisões que tomam.Focam-se no momento de contacto com os clientes.

– Adoram “trabalhar no duro” para não perderem a sua personalidade nos produtos que vendem e no serviço que prestam.

– As interacções com o cliente são óptimas oportunidades para a sua personalidade vir ao de cima.

– Passam por altos e baixos, mas, não têm problemas em partilhar as suas falhas com os clientes.

Do Livro Delivering Happiness: A Path to Profits, Passion and Purpose

Para criar uma EMPRESA DE SERVIÇO AO CLIENTE siga estes 10 passos

1. O serviço ao cliente é responsabilidade de todos.
2. Transforme a expressão WOW num verbo que faz parte do vocabulário diário da empresa.
3. Confie e dê força aos colaboradores responsáveis pelo serviço ao cliente.
4. Não faz mal “despedir” clientes “insaciáveis” ou que abusam dos colaboradores.
5. Não meça a duração das chamadas telefónicas. Não force os colaboradores a vender. Não crie guiões para o atendimento telefónico.
6. Não esconda o seu número de telefone.
7. Veja cada chamada telefónica como um investimento na construção de uma marca de serviço ao cliente e não como um gasto que é preciso minimizar.
8. Conte histórias de experiências WOW a toda a gente na empresa.
9. Encontre e contrate pessoas que são apaixonadas por servir o cliente.
10. Ofereça um serviço excelente a toda a gente: clientes, colaboradores e vendedores

Bom por agora é tudo. Vou tratar de criar os meus próprios serviços WOW!

Empreendedorismo integrado

Pediram-me para fazer a abertura e o encerramento de uma sessão sobre empreendedorismo, a decorrer amanhã na Universidade Fernando Pessoa.

O que vou dizer?

Simplesmente isto:

Do Gary Vaynerchuck

e do seu livro Crush It!: Why NOW Is the Time to Cash In on Your Passion (Vencer na vida fazendo o que mais gosta! – versão portuguesa)

Para saber se deve ser empreendedor coloque a si próprio as seguintes questões:

1 – Está feliz com o seu emprego actual?
2 – O seu empregador permite que tenha uma imagem pública? Permite construí-la durante o seu horário de trabalho?
3 – Não permite fazê-lo no horário de trabalho, mas permite nos seus tempos livres?

Se respondeu não, às questões 2 e 3 avance a toda a velocidade, crie o seu negócio.

Se avançar e decidir ser empreendedor é importante respeitar 3 regras:

1 – Ame a sua família!
2 – Trabalhe arduamente!
3 – Viva a sua paixão!

Do Miguel Trigo

1 – Foque-se nas pessoas. Descubra as suas necessidades/os seus desejos não atendidos.
2 – Desenvolva e venda produtos/serviços que dão resposta às necessidades e desejos das pessoas.
3 – Foque-se nas pessoas. Construa um excelentíssimo serviço ao cliente!

Querem saber mais?

Perguntem-me como, amanhã na UFP.

O que traz felicidade?

O que traz felicidade?

Num post anterior, defendi a ideia de que, quando bem aplicado, o dinheiro pode trazer felicidade.

Volto ao tema da felicidade, motivado pelo que Tony Hsieh (CEO da Zappos) escreveu no livro “Delivering Happiness: A Path to Profits, Passion and Purpose“, quando afirma algo parecido com isto:

Fiz uma lista dos períodos em que fui mais feliz na minha vida e, reparei que nenhum deles envolveu dinheiro…a felicidade está intimamente ligada com o aproveitar a vida…eu senti-me bem a criar, construir e a fazer coisas pelas quais sentia paixão.

Para além desta confissão por parte de alguém como Tony que vendeu 2 empresas por quantias avultadas*, outro acontecimento me leva a assumir que alcançar a felicidade não está intimamente ligada a quanto dinheiro somos capazes de amealhar, mas sim ao que somos capazes de fazer com ele, é o compromisso que Bill Gates, Warren Buffett, Michael Bloomberg e mais cerca de 40 billionários americanos, assinaram.

Nele, comprometem-se a doar mais de metade das suas fortunas para a implementação de projectos filantrópicos, que ajudem a criar um mundo melhor.

Se assim é, se ajudar a resolver os maiores problemas da humanidade traz felicidade, porquê esperar o tempo que alguns deste signatários esperaram para ir em busca da felicidade?

*em 1998 a LinkExchange à Microsoft por 265 milhões de dólares e, em 2009 a Zappos à Amazon por 1,2 biliões de dólares.

Fazer melhor…na prática

Pelo trabalho que tem vindo a fazer, Jeffrey Hollender deve ser uma referência para quem leva a sério o desafio de querer construir um capitalismo diferente.

A relação de Hollender com a Wal-Mart, nunca foi das melhores (antes pelo contrário) muito devido às suas práticas pouco amigas para com o ambiente e com os seus colaboradores. Mas, Hollender não se limitou a criticar, disponibilizou-se para desempenhar funções (não remuneradas) de conselheiro na área da sustentabilidade, ajudando a Wal-Mart a aumentar o seu valor social.

Este vídeo, além de mostrar como uma empresa atingindo lucros pode causar impactos positivos, marca também o início de uma parceria que se estabelece porque a Wal-Mart percebeu que os tempos mudaram e que, a forma como nos posicionamos no mundo dos negócios, influenciará cada vez mais as decisões de compra dos potenciais clientes.

Gerir na prática

Como devemos gerir no século XXI?

Procuro sempre aprender com quem pratica! Richard Branson, num artigo para a revista Entrepreneur revela-nos os 5 segredos do seu sucesso:

1. Gostar do que faz
2. Crie algo que se destaque de tudo o que já existe.
3. Crie algo que todos os que trabalham consigo, se sintam verdadeiramente orgulhosos.
4. Seja um bom líder.
5. Seja um Líder visível.